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Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

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Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Dom 12 Maio 2013 - 19:40

Gente, encontrei mais essa obra nas minhas andanças em busca de algo sobre MJ.

Espero que gostem!!!!


Todos os créditos desta tradução são da Daniela Ferreira tradutora deste trabalho em seu Blog Blog The Man In The Music





Prólogo por Anthony DeCurtis
DEDICADO A PRINCE MICHAEL, PARIS E BLANKET
“De muitas formas, o artista é a obra dele.” – Michael Jackson
“No fundo, eu sinto que este mundo em que vivemos é realmente um grande, enorme, monumental orquestra sinfônica. Eu acredito que em sua forma primordial, toda criação é sons, e isso não é apenas ruídos aleatórios, mas música… Música governa o ritmo das estações, o pulso das batidas do coração, a migração dos pássaros, o fluxo e refluxo das ondas do oceano, o ciclo do crescimento, evolução e extinção. Isso é música, isso é ritmo. E meu objetivo na vida e dar ao mundo o que eu tive sorte de receber: o êxtase da divina união entre minha música e minha dança.” Michael Jackson



PREFÁCIO
Este livro começou na época que foi, sem dúvida, a hora mais sombria de Michael Jackson. Por quase dois anos, seguinte ao infame documentário de Martin Bashir, Living With Michael Jackson, ele tem sido objeto de um frenesi da mídia. O julgamento dele atraiu mais de 2 mil reporteres, vindos de, pelo menos, 35 países diferentes. Recebeu mais cobertura que a guerra no Iraque e o genocídio no Sudão.
Os peritos de tabloides, liderados por âncoras de noticiários de entretenimento, como Nancy Grace e Diane Dimond, fundiram-se, perfeitamente, aos noticiários, nos quais, a especulação sobre Jackson era o tópico principal em praticamente todos os noticiários e canais de entretenimento, praticamente todas as noites, por mais de seis meses. A maioria assumiu que Jackson é culpado e usou isso para ridicularizar tudo, da aparência dele aos filhos e as varias excentricidades dele. “A América está feita com este cara”, proclamou o conservador apresentador da Fox, Bill O’Reilly. “Ele é um maluco.”
Quando eu cheguei a Santa Maria, Califórnia, naquele verão, eu testemunhei um uma atmosfera circense. A mídia tinha se estabelecido na pequena cidade. Trailers, barracas e satélites em volta do tribunal; reporteres em todos os lugares, de pé em frentes às câmeras, conduzindo entrevistas e falando no celular. Centenas de fãs estavam lá também, é claro, e outros que, simplesmente, queriam vender alguma coisa, fofocar ou aparecer na TV.
O que rapidamente se tornou aparente, porém, foi quão pouco interesse havia nas evidencias, decência, nuança ou objetividade. Audiências e manchetes dependem de incessante fluxo de sensacionalismo, insinuação, boatos e especulação e isso foi exatamente o que a audiência recebeu. Jackson foi reduzido a uma aberração de circo. Ele foi o Homem Elefante dos dias modernos, sendo tratado como um ser humano em meio a uma multidão de espectadores de dedos apontados para ele. O jornalista bretão, Charles Thompson, chamou isso de “um dos mais vergonhosos episódios da história do jornalismo”. O observador político Jeff Koopersmith caracterizou isso como um “linchamento high-tech”.
Jackson, é claro, foi definitivamente absolvido de todas as acusações. Porém, o dano já tinha sido causado. A música revolucionária tinha sido sufocada pela cacofonia de barulho, os vídeos e danças apagados e substituídos pela imagem de um homem quebrado, caminhando cuidadosamente, para fora de um tribunal.
Quando eu comecei o livro, então, meu objetivo era recuperar Michael Jackson, o artista. Os escândalos e excentricidades foram cobertos exaustivamente (e a maior parte de forma especulativa e superficial). O verdadeiro trabalho criativo dele, parece, para mim, foi, ontem e hoje, infinitamente mais rico, interessante e atraente. Isso é o que eu espero trazer de volta ao foco.
Nos últimos cinco anos, eu li quase todos os livros escritos sobre o pop star. Dado o impacto cultural dele, é extraordinário como pouco da substancia está disponível. Enquanto alguém pode encontrar uma vasta gama de livros sérios, profundos, sobre Elvis Presley ou Os Beatles, a maioria dos títulos sobre Jackson caem em duas categorias: autopublicações de fãs aduladores ou sensacionalistas tabloides “conta-tudo”. Houve algumas exceções, mais notavelmente, a autobiografia de Jackson, Moonwalk, e o volumoso livro de J. Randy Taraborrelli, Michael Jackson: The Magic and the Madness. Durante o período da minha pesquisa (e particularmente depois da morte dele) outros livros substanciais apareceram, incluído o catálogo de referencia de Chris Cadman e de Craig Halstead, Michael Jackson: For The Record, a eloquente coleção de ensaios de Armond White, Keep Moving: The Michael Jackson Chronicles, o editado volume de Mark Fisher, The Resistible Demise of Michael Jackson e o técnico, mais iluminador, livro do engenheiro musical, Bruce Swedien, In the Studio With Michael Jackson.
Enquanto cada um desses livros oferece importantes contribuições, no entanto, eu continuo sentindo falta de um livro que aprecie todo o corpo de trabalho de Jackson: álbum por álbum, música por música, isso foi esquecido. Meu primeiro modelo foi o clássico de Ian McDonalds, A Revolution in the Head: The Beatles’s records and Sixties. Embora, de diversas maneiras, meu livro acabasse sendo estruturado bem diferentemente – eu escolhi organizar por álbum e enfatizar o contexto e interpretação mais do que as inovações técnicas – Eu ainda espero que este livro desempenhe um papel similar em termos de profundidade, extensão e abrangência.
Embora esta não fosse a cobertura que eu estava planejando, grande parte da crítica musical (particularmente sobre Jackson) tem sido redutiva e condescendente. Eu queria escrever algo histórico e criticamente rigoroso, mas abordar o tema com menos cinismo e mais curiosidade: O que Jackson está tentando transmitir? O que o trabalho dele ilumina, provoca, expressa? Como é feito? E que tipo de reação (reações) ele esperava extrair? Eu concordo com o crítico literário, Mark Edmundson, que a arte da interpretação deveria, pelo menos, estar com a intenção de ver o mundo pela perspectiva do artista, para “chegar a uma versão do trabalho que o (artista), como nós o imaginamos, aprovaria e ficaria satisfeito”.
O livro que se desenvolveu a partir dessa filosofia foi, inevitavelmente, assustador de se escrever. Fazer justiça a qualquer artista é um desafio, mas Michael Jackson é muito único.
Talvez o mais difícil tenha sido a) acumular bastantes informações confiáveis para desenvolver um claro senso de quando, onde, por que, como e com quem, o trabalho dele foi feito e b) desenvolver alguns degraus de fluência em todos os meios midiáticos que o trabalho dele utilizou: música, canto, dança, filmes, estúdio, tecnologia, etc.
O que eu rapidamente percebi é que meu papel seria, necessariamente, ser mais pesquisador e entrevistador que autor, e que eu deveria permitir que as pessoas que o conheceram há mais tempo falassem, elas mesmos. Por fim,eu li uma ampla quantidade de relatos internos, revisões e análises do trabalho de Jackson; eu li todas as entrevistas que Michael Jackson deu desde 1977 em diante; eu li tantas entrevistas, quanto eu pude encontrar, das pessoas que trabalharam com ele, incluindo Quincy Jones, Bruce Swedien, Rod Temperton, Teddy Riley, Rodney Jerkins, Matt Forger, Brad Buxer e Bill Bottrell. Talvez, o mais esclarecedor, porém, foi a entrevista pessoal que eu conduzi com muitas dessas pessoas e outras que trabalharam em estreita colaboração com Jackson. Falar com os parceiros criativos de Jackson: produtores, engenheiros, diretores musicais e técnicos, forneceu uma fascinante visão interna de como Jackson operava como um artista e como específicas músicas e álbuns surgiram.
Muitas das pessoas com quem conversei tinham raramente falado sobre Jackson em público antes. Mas todos foram generosos com o tempo deles e ficaram contentes que o Jackson que eles conheceram fosse, finalmente, representado em um livro.
Também foi de grande ajuda na minha pesquisa a Rolling Stone, cujos arquivos forneceram rico e relevante material de, aproximadamente, todos os estágios da carreira de Jackson. Além disso, os arquivos da revista Times, The New York Times, Ebony e os arquivos dos sites de Michael Jackson foram inestimáveis. O espólio de Michael Jackson foi, também, muito generoso com o retorno e o apoio deles.
Infelizmente, eu nunca consegui entrevistar Michael Jackson. Na noite antes de ele morrer, eu estava trabalhando neste livro. Eu esperava entrevistá-lo em Londres, durante a série de concertos dele, This Is It. Eu soube de uma rara entrevista que ele deu a Ebony, em 2007, que ele estava ansioso para voltar a focar no trabalho dele, para ser percebido com um artista, não com excentricidades de tabloides. Mas, então, veio a trágica notícia.
Eu fiquei aturdido. Como muitas outras pessoas, eu cresci com Michael Jackson. Ele significa para mim, o que artistas transformativos com Elvis Presley, John Lenon e Bob Dylan significaram para as gerações anteriores de pessoas jovens. A primeira vez que eu vi a apresentação da Motown 25, aos nove anos de idade, eu fui, absolutamente, cativado.
Eu costumava colocar a minha VHS: Michael Jackson: The Legend Continues para tocar o tempo todo e eu costumava pedalar minha bicicleta até a escola escutando músicas como “Beat it”, “Man In the Mirror” e “Black or White”, no meu Walkman. Com o passar doas anos, meus interesses musicais mudaram e se desenvolveram, mas minha fascinação por Michael Jackson persistiu, eu sempre apreciaria o trabalho dele de novas formas e em novos níveis.
Com a morte dele, então, feio um profundo sentimento de perda e tristeza sobre o que poderia ter sido. Mas como Jackson colocou, premonitoriamente, apenas dois anos antes (citando um dos heróicos artistas dele próprio, Michaelangelo): “Eu sei que o criador partirá, mas a obra dele sobrevive.
Isto é escapar da morte, eu tento ligar minha alma ao meu trabalho.” Isso, talvez, tenha sido o mais revelador comentário que ele já fez sobre o que ele esperava do legado dele.
Criando este livro, eu mergulhei neste trabalho cheio de alma. Com cada visita retornada, novidades e excitantes descobertas desenroladas.
É minha esperança que Man In The Music irá inspirar uma experiência similar para outros, servindo como uma porta de entrada para o mundo criativo de um dos mias originais artistas do século passado.
JOSEPH VOGEL
Abril de 2011


Última edição por sissi em Seg 13 Maio 2013 - 19:40, editado 1 vez(es)

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 13 Maio 2013 - 19:38

PRÓLOGO
ANTHONY DECURTIS

Durante o verão de 2001, eu trabalhei como escritor chefe para o que foi intitulado como Michael Jackson 30th Celebration, dois concertos que deveriam ser realizados no Madson Square Garden, em New York, em 8 e 10 de setembro. Os shows seriam filmados e mais tarde mostrados na televisão em formato editado e disponível em DVD.
O aniversário celebrado foi o lançamento de 1971, “Got To Be There”, o primeiro single solo de Jackson no Top 5 hit. A ocasião era parte da formação para o lançamento de Invincible, o primeiro álbum de material novo dele em seis anos. Invincible viria no mês seguinte e, embora ninguém soubesse disso naquela época, seria o ultimo álbum de estúdio de Jackson.
A preparação para o show foi caótica, para dizer o mínimo. David Gest era o produtor – eu preciso dizer mais? – e convidados especiais incluindo pessoas como Liza Minelli (com quem Gest, mais tarde, se casaria e se divorciaria), Marlon Brando, Elizabeth Taylor e outras estrelas que seriam vistas freneticamente deslocadas na arena do concerto pop, especialmente naquele momento, quando Jackson precisava mais que qualquer coisa redefinir-se em termos contemporâneos. Para mim o stress daquelas semanas trabalhando no roteiro foi aumentado pelo fato de que eu me casaria em 8 de setembro, no interior do estado de Nova Iorque. Consequentemente, eu não poderia comparecer ao concerto, portanto, todo o esforço, bizarro e excitante que isso foi, parecia-me um pouco abstrato.
O evento que marcou aquele período para mim foi a manhã de ensaio a que eu compareci dois dias antes do primeiro show. Os vinte mil lugares, ou quase, estavam vazios, reservados para outros membros do pessoal do filme, trabalhadores configuravam o local para os concertos e representantes de vários artistas agendavam ensaios para a noite. Whitney Houston estava na cena parecendo vazia e distante. No palco, Michael Jackson, os irmãos dele e a banda estavam ensaiando.
Michael Jackson não estava usando as roupas de palco; eu me lembro dele usando calças largas e camiseta larga e óculos de leitura para olhar documentos que ele estava consultando. Se ele não falasse no microfone, eu não estava perto o bastante para escutar o que ele estava dizendo. Porém, Jackson sempre falaria no microfone para se certificar de que todos no palco podiam escutá-lo e o microfone estava na mão dele todo o tempo, ocasionalmente, captando a voz dele, mesmo quando não estava perto do rosto dele. A primeira preocupação dele era em preparar a coreografia para o show e era evidente que ele estava relaxado e completamente no controle. Ele falou primeiramente para o diretor musical, Greg Phillinganes; o tom dele era sempre gentil, respeitoso e profissional. Jackson estava muito focado em como ele queria os movimentos dele e aqueles nos quais os irmãos dele é que trabalhariam com a música, onde ele estaria quando as batidas fossem marcadas, os estímulos que ele precisava na música, para fazer os movimentos dele fluírem com impacto mais irresistível.
Quando ele falava fora do microfone, alguém poderia ver Jackson e Phillinganes concentrados e rindo. Eles queriam fazer as coisas direito, mas eles também estavam se divertindo, excitados com os iminentes shows. Jackson parecia um pouco distante dos irmãos dele, embora não frio ou intransigente, apenas distante. Na maior parte, ele parecia, muito, um músico e artista que sabia exatamente o que ele queria, mas também apreciava os necessários esforços feitos por outros. Ele sabia que o nome dele estava na marquise e qualquer coisa que acontecesse, em ultima análise, refletiria nele, em ninguém mais.
Por anos, eu tenho escrito sobre Michael Jackson, muito, assistido às apresentações dele, muitas vezes, e discutido e debatido sobre ele em noticiários e programas de televisão sobre entretenimento. No mês seguinte, eu conduziria uma longa entrevista telefônica com ele, elaborada em perguntas enviada pelos fãs (e selecionadas pelos inúmeros assessores dele), que seria transmitida ao vivo na internet. Contudo, eu nunca o tinha testemunhado em situação como essa e era algo impressionante de se ver.
Isso me lembra, antes de tudo, de por que todo mundo se preocupava com Michael Jackson desde o início. Ele estava entre os mais incríveis artistas que eu já vi e a música dele podia ascender a pista de dança instantaneamente. Sempre que eu escuto a música dele, eu descubro coisas novas para amar nelas, toques inventivos que eu nunca tinha percebidos antes. Neste específico sentido, a morte dele foi uma benção: forçou as pessoas a reencontrar a arte dele e perceber, mais uma vez, quão importante ele é para elas, o quanto a música dele significa para a vida delas, para pessoas jovens que não cresceram com Michael Jackson, isso forneceu, talvez, a primeira oportunidade de escutar a música dele livre dos clichês preconceituosos sobre ele.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Ter 14 Maio 2013 - 15:11

PRÓLOGO
ANTHONY DECURTIS

Durante o verão de 2001, eu trabalhei como escritor chefe para o que foi intitulado como Michael Jackson 30th Celebration, dois concertos que deveriam ser realizados no Madson Square Garden, em New York, em 8 e 10 de setembro. Os shows seriam filmados e mais tarde mostrados na televisão em formato editado e disponível em DVD.
O aniversário celebrado foi o lançamento de 1971, “Got To Be There”, o primeiro single solo de Jackson no Top 5 hit. A ocasião era parte da formação para o lançamento de Invincible, o primeiro álbum de material novo dele em seis anos. Invincible viria no mês seguinte e, embora ninguém soubesse disso naquela época, seria o ultimo álbum de estúdio de Jackson.
A preparação para o show foi caótica, para dizer o mínimo. David Gest era o produtor – eu preciso dizer mais? – e convidados especiais incluindo pessoas como Liza Minelli (com quem Gest, mais tarde, se casaria e se divorciaria), Marlon Brando, Elizabeth Taylor e outras estrelas que seriam vistas freneticamente deslocadas na arena do concerto pop, especialmente naquele momento, quando Jackson precisava mais que qualquer coisa redefinir-se em termos contemporâneos. Para mim o stress daquelas semanas trabalhando no roteiro foi aumentado pelo fato de que eu me casaria em 8 de setembro, no interior do estado de Nova Iorque. Consequentemente, eu não poderia comparecer ao concerto, portanto, todo o esforço, bizarro e excitante que isso foi, parecia-me um pouco abstrato.
O evento que marcou aquele período para mim foi a manhã de ensaio a que eu compareci dois dias antes do primeiro show. Os vinte mil lugares, ou quase, estavam vazios, reservados para outros membros do pessoal do filme, trabalhadores configuravam o local para os concertos e representantes de vários artistas agendavam ensaios para a noite. Whitney Houston estava na cena parecendo vazia e distante. No palco, Michael Jackson, os irmãos dele e a banda estavam ensaiando.
Michael Jackson não estava usando as roupas de palco; eu me lembro dele usando calças largas e camiseta larga e óculos de leitura para olhar documentos que ele estava consultando. Se ele não falasse no microfone, eu não estava perto o bastante para escutar o que ele estava dizendo. Porém, Jackson sempre falaria no microfone para se certificar de que todos no palco podiam escutá-lo e o microfone estava na mão dele todo o tempo, ocasionalmente, captando a voz dele, mesmo quando não estava perto do rosto dele. A primeira preocupação dele era em preparar a coreografia para o show e era evidente que ele estava relaxado e completamente no controle. Ele falou primeiramente para o diretor musical, Greg Phillinganes; o tom dele era sempre gentil, respeitoso e profissional. Jackson estava muito focado em como ele queria os movimentos dele e aqueles nos quais os irmãos dele é que trabalhariam com a música, onde ele estaria quando as batidas fossem marcadas, os estímulos que ele precisava na música, para fazer os movimentos dele fluírem com impacto mais irresistível.
Quando ele falava fora do microfone, alguém poderia ver Jackson e Phillinganes concentrados e rindo. Eles queriam fazer as coisas direito, mas eles também estavam se divertindo, excitados com os iminentes shows. Jackson parecia um pouco distante dos irmãos dele, embora não frio ou intransigente, apenas distante. Na maior parte, ele parecia, muito, um músico e artista que sabia exatamente o que ele queria, mas também apreciava os necessários esforços feitos por outros. Ele sabia que o nome dele estava na marquise e qualquer coisa que acontecesse, em ultima análise, refletiria nele, em ninguém mais.
Por anos, eu tenho escrito sobre Michael Jackson, muito, assistido às apresentações dele, muitas vezes, e discutido e debatido sobre ele em noticiários e programas de televisão sobre entretenimento. No mês seguinte, eu conduziria uma longa entrevista telefônica com ele, elaborada em perguntas enviada pelos fãs (e selecionadas pelos inúmeros assessores dele), que seria transmitida ao vivo na internet. Contudo, eu nunca o tinha testemunhado em situação como essa e era algo impressionante de se ver.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qua 15 Maio 2013 - 16:59

Isso me lembra, antes de tudo, de por que todo mundo se preocupava com Michael Jackson desde o início. Ele estava entre os mais incríveis artistas que eu já vi e a música dele podia ascender a pista de dança instantaneamente. Sempre que eu escuto a música dele, eu descubro coisas novas para amar nelas, toques inventivos que eu nunca tinha percebidos antes. Neste específico sentido, a morte dele foi uma benção: forçou as pessoas a reencontrar a arte dele e perceber, mais uma vez, quão importante ele é para elas, o quanto a música dele significa para a vida delas, para pessoas jovens que não cresceram com Michael Jackson, isso forneceu, talvez, a primeira oportunidade de escutar a música dele livre dos clichês preconceituosos sobre ele.

No entanto, não é o momento de desculpas. Não há dúvidas: Jackson deve suportar alguma responsabilidade pela razão de ele ter se tornado, eventualmente, pouco mais que uma piada, nos anos anteriores a morte dele. O comportamento dele e excentricidades frequentemente desviraram a atenção do trabalho dele. O que antes era uma ambição estimulante se tornou megalomania. Uma vez, em entrevista a Rolling Stone, para a matéria de capa, eu perguntei a Janet Jackson se ela poderia aceitar a ideia de que ela poderia, possivelmente, fazer um álbum e não vender. Ela me deu um olhar bondoso e zombeteiro como se eu tivesse, de repente, começado a falar uma língua estrangeira que não seria possível esperar que ela entendesse. O que poderia possivelmente significar criar um “ótimo” álbum que as pessoas não comprassem?

Essa é a ética comercial que os Jacksons assinam e Michael era mais fervorosamente crente nisso que Janet. Há compreensíveis razões para isso, assim como pessoais, mas não há dúvida de que o esforço de Michael em recriar o sucesso e o impacto de Thriller, para reviver o momento que fez o mundo dar valor a ele, prejudicou-o. Ainda, também não pode haver dúvidas de que a mídia caiu na armadilha psicológica que Jackson, inconscientemente, criou e avaliou todos os trabalhos pós-Thriller dele com o padrão comercial inatingível, para o inevitável desapontamento dele e da maioria.
Mas como Joe Vogel convincentemente demonstra neste ótimo e compreensivo livro, Jackson criou incrível e importante trabalho durante a carreira dele. Quando Jackson morreu, o homem e os problemas dele tinham ofuscado completamente a música. Como todo mundo que prestasse muita atenção em Jackson, eu, é claro, entendi como ele sentia o palco com o lugar da mais profunda felicidade. Até aquela noite no Madson Square Garden, eu pensava que era simplesmente sobre um incandescente artista queimando todas as outras questões com uma forte e destemida chama.

Quando eu vi Michael se preparar para a apresentação do trigésimo aniversário dele com inegável facilidade e tranquilidade, porém, ficou claro que ele estava feliz no palco porque ele era, antes de tudo, um artista; e a música dele significava mais para ele que qualquer outra coisa. Eu encontro aquele mesmo foco constante e comando que eu e testemunhei àquela noite, nas páginas de Man In The Music, um tributo que o trabalho fascinante de Michael Jackson mais que merece e faz jus.

Anthony DeCurtis é um contribuinte editor da Rolling Stone, onde o trabalho dele tem aparecido por mais de vinte e cinco anos e ele, ocasionalmente, escreve para o New York Times, assim como para a Rocking My Life Away. Ele é também editor do Present Tense: Rock & Roll na Culture e co-editor da Rolling Stone Illustred History of Rocking & Roll e The Rolling Stone Album Guide (3º edição).

O ensaio de acompanhamento dele sobre o box set de Eric Clapton, Crossroad, ganhou o Grammy Award na categoria de Best Album Notes.
Ele tem PhD em literatura americana e ensina em programas de escrita para a Universidade da Pensilvania.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 16 Maio 2013 - 16:36

INTRODUÇÃO
UMA GRANDE AVENTURA
Michael Jackson sempre explicou o processo criativo dele como um ato de recuperar algo que já existe. Ele é apenas um “canal” trazendo-o ao mundo, um meio pelo qual a música flui. Ele citava a filosofia de Michaelangelo de que dentro de cada pedaço de pedra ou mármore existe uma “forma adormecida”. “Ele apenas a liberta”, Jackson insistia. “Já estava lá. Já estava lá.”
Como um artista, o trabalho de Jackson era sobre libertação. Ele queria libertar o que estava limitado, transformar o que estava petrificado e despertar o que estava dormente. Ele queria ultrapassar qualquer obstáculo que embaraçava a imaginação, qualquer amarra – psicológica, social ou política – que aprisionava o corpo e a mente. Isso é o que arte representa para ele como pessoa e esse foi o intencional efeito dele sobre o público dele, também.
Para milhões de pessoas, em todo o mundo, é claro, isso é exatamente o que ele realizou. Para admiradores, ele sempre foi mais que um mero artista ou pop star. Ele era música encarnada. Escutar a música dele ou assistir à performance dele era um injeção de vida, uma torrente de poderosas emoções. Alguns escutavam a música dele com um ápice de êxtase espiritual. Outros a comparavam a um exorcismo. Fãs falam sobre se sentirem transportados, poderosos, conectados, inspirados. Depois de testemunhar o concerto da Bad World Tour, em 1988, o jornalista da Newsweek, Jim Miller, descreveu Michael como possuindo a “surpreendente febre do predecessor dele, James Brown, a sedução de Diana Ross, a emoção infalível de Charlie Chaplin, o júbilo extremo de um homem surpreendente. A multidão suspirava e gritava…”.
Jackson, às vezes, comparava a energia recíproca de uma performance a um Frisbee: “Você o pega, você toca e você o atira de volta.” As audiências, ele acreditava, era mais que espectadores passivos, elas eram uma vibrante comunidade, composta por pessoas de todas as idades, raças religiões e culturas, de pé, lado a lado, temporariamente ligadas à magia coletiva da música dele, imaginando um mundo novo. “Você pode levá-los a qualquer lugar”, ele falava efusivamente. Esse era o presente dele como um artista: a habilidade de dissolver em histórias, emoções, a magia da música, e levar multidões de todas as culturas com ele. Ele chamou esse laço criativo de muitas coisas durante os anos: escapismo, entretenimento, carisma, arte. Mas em última análise, para Jackson, isso era sobre compartilhar e receber amor.
O corpo de Jackson era a tela mais instintiva dele.
Ele era um dançarino até o âmago. Ele dançava em particular como forma de se exercitar e se libertar. Ele dançava enquanto gravava no estúdio. No palco, o corpo dele parecia possuído pela música. “Eu sou um escravo do ritmo”, ele explicou. “Eu sou uma tela. Eu apenas vou com o momento. Você tem que fazer desse jeito, porque se você pensar, você morre. Performar não é sobre pensar, é sobre sentir.” Coreografia, para Jackson, era como linhas em uma pintura: dava bordas dentro das quais trabalhar. Não era sobre contar passos; era sobre explorar e se expressar dentro daqueles limites.
Nesse espaço criativo, ele se tornaria a “incorporação” de cada parte. “Quando você está dançando”, ele revelou, “você está apenas interpretando a música e os sons e o acompanhamento. Se existe um baixo, se existe um violoncelo, se existe uma corda, você se torna a emoção que esse som é.” Esta habilidade de ocupar a música completamente foi o que o destacou como dançarino. Muitos dos movimentos dele tinham sido feitos anos antes, incluindo o moonwalk; mas ele se aprofundou neles, compreendendo o que eles poderiam transmitir e se apossou deles.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Dom 19 Maio 2013 - 15:22

Livro Man In The Music: Indrodução III “Uma Educação Incomum”



Entender Jackson como um dançarino e performer é crucial para entendê-lo como um cantor e compositor, pois, se, alguma vez, existiu alguém que exemplificou o título “cantor e dançarino”, foi Michael Jackson. Ele aprendeu com os melhores: showmens como Sammy Davis Jr., James Brown, Jackie Wilson, Fred Astaire e Gene Kelly. Quando ele tinha apenas oito anos de idade, ele lhes assistia, do lado do palco, em legendários teatros como o Regal e o Apolo, absorvendo e aprendendo.
A maior revelação para o jovem Michael Jackson foi o “Padrinho do Soul”, James Brown. Como Elvis Presley foi para o jovem John Lenon, James Brown foi para Michael Jackson, embora, tivesse a vantagem de ver o ídolo dele de perto e pessoalmente. “Depois de estudar James Brown das coxias”, ele se lembra, “eu aprendi todos os passos, todos os grunhidos, todos os giros e voltas. Eu tenho de dizer, ele daria uma performance que te deixaria exausto, esgotá-lo-ia, emocionalmente.
Toda a presença física dele, o fogo saindo dos poros dele, seria fenomenal. Você sentiria cada gota de suor no rosto dele e você saberia que ele estava esquentando. Eu nunca vi nenhuma performer como ele.”
Não foi apenas a performance e dança de James Brown que Jackson incorporou. O característico ritmo de canto de Brown, o staccato vocal dele (com sílabas curtas, grunhidos, gritos e exclamações), e o puro funk elementar dele está todo na música de Jackson. Jackson, é claro, adaptou e fundiu o estilo de Brown com outros, mas Brown foi, inquestionavelmente, a mais profunda influência, inicial, de Jackson.
A educação musical de Jackson continuou na Motown, onde ele foi cercado por alguns dos mais renomados músicos de uma era, incluindo Marvin Gaye, Gladys Knight e Smokey Robinson.
Quando garotinho, ele foi especialmente fascinado por Diana Ross, com quem ele morou durante meses, depois de chegar a Los Angeles, em 1970. “Ela era arte em movimento”, ele escreveu mais tarde. “Eu a observei ensaiar um dia, no espelho. Ela não sabia que eu estava observando. Eu a estudei, o jeito como ela se movia, o jeito como ela cantava, o jeito que ela era.” Quando jovem adolescente, ele também ficaria no estúdio com Stevie Wonder, observando-o gravar um dos álbuns clássicos dele, incluindo Song in the Key of Life. “Ele sempre viria para o estúdio curioso sobre como eu trabalhava e o que eu fazia”, Wonder se lembra. “‘Como você faz isto? Por que você faz isto? ’ Eu acho que ele entendeu claramente, por ver várias pessoas fazerem a cena da música, que isso, definitivamente, funcionou.” Jackson, mais tarde, se referiu a Stevie Wonder como um “profeta musical”.
Houve muitas outras influências importantes durante os anos dele na Motown, que ajudaram a habilidade natural de Jackson: Suzanne de Passe, a primeira produtora dos Jacksons 5, coreografa, estilista, Relações Públicas, instrutora e um mãe substituta; um grupo de talentosos compositores e produtores chamado “A Corporação”, que incluía Deke Richard, Freddie Perren e Alphonzo Mizell; e Hal Davis, quem escreveu muitas das músicas da Motown dos Jackson 5 e de Michael, desde “I’llBe There” a “Dancing Machine”.
Mas sem dúvidas, ninguém teve um impacto profundo no desenvolvimento do jovem Michael Jackson quanto o próprio criador da Motown, Berry Gordy.
Gordy ensinou a Jackson perfeccionismo e meticulosa atenção a detalhes no estúdio. Se uma música precisasse ser tocada mais de cem vezes para ficar certa, eles a gravariam mais de cem vezes. Era um treinamento exaustivo, especialmente para um garotinho, mas Jackson aprendeu. “Eu nunca esqueci a persistência dele”, ele mais tarde escreveu. “Eu observava todos os momentos das sessões quando Berry estava presente e nunca esqueci o que eu aprendi. Atualmente, eu uso os mesmos princípios.”
Mas talvez o maior impacto de Gordy sobre Michael tenha sido incutir nele a ambição para ultrapassar classificações, conquistar o mundo da música o do entretenimento. Gordy era um experiente e perspicaz executivo, que sentia que a música negra podia (e deveria) alcançar as massas multirraciais e, até, a audiência internacional.
Embora alguns sentissem isso como uma ambição comercialmente motivada, a princípio, que santificavam ou integralizavam a música negra, não há dúvidas de que fez significantes invasões em uma indústria que era, naquele momento, ainda quase segregada racialmente.
O projeto de Gordy foi importante, não apenas porque criou um clima para que artistas como Jackson fossem aceitos pela audiência branca e internacional, mas também porque era uma ideologia de inclusão, que Jackson, mais tarde, adotaria de todo o coração. Pelo resto da carreira, ele se recusou a ser rotulado por raça, gênero, nacionalidade e tudo o mais. Música, ele sentia, era universal. E um garoto de Gary, Indiana, podia ser o “Rei”.
Essa filosofia foi, na verdade, grande parte do motivo pelo qual Jackson foi atraído por Quincy Jones. Jones, ele explicou em uma entrevista, em 1980, era “ilimitado musicalmente”: ele fazia tudo, desde jazz a pop e partitura clássica. Ele era, também, “multicolorido”, o que significava, para Jackson, que o trabalho dele não seria encaixotado em “música negra”.

Na verdade, enquanto Jackson era claramente enraizado musicalmente, e de outras maneiras, nas tradições afro-americanas, a variedade de influências se desenvolveu muito além de qualquer raça ou etnia. “Eu amo boa música”, ele explicou. “Não tem cor, não tem limites.” Os próprios interesses musicais de Jackson, inicialmente, estenderam de funks pioneiros como P-Funk e Sly and the Family Stone a grupos de pessoas como Carpenters e os Mamas & the Papas; de Broadway a cantores de baladas, como Julie Andrews e Barbara Streisand e sensações disco como o Bee Gees.
Jackson adorava experimentar arte como um fim em si mesma (o que ele, frequentemente, chamava de “a mágica”), mas ele também queria entender a “anatomia” da arte. Ele queria entender tudo sobre como a arte funcionava, a história da arte, por que tinha resistido à prova de tempo, quais eram as possibilidades.
Quando ele conheceu Quincy Jones, no final dos anos setenta, embora ainda um adolescente, ele já tinha, aproximadamente, uma década de experiência aprendida de primeira mão com alguns dos mais renomados músicos e compositores na indústria. Jones descreveu-o como uma “esponja”. “Ele queria ser o melhor em tudo… absorver tudo”, Jones disse. “Ele foi ao modelo máximo de cada categoria para criar uma atitude e pessoa que seria inigualável.”


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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 20 Maio 2013 - 13:10

Livro Man In The Music: Introdução IV :”Um Mundo de Imaginação”





Durante a vida dele, Jackson sempre teve o dedo dele no pulso da indústria da música.
Como um fã, e como um artista, procurando por novos sons e ideias. Ele era fascinado tanto pela “mística” quanto pela artística dos dois maiores fenômenos pop antes dele: Elvis Presley e os Beatles (não foi coincidência que ele ter casado com a filha do primeiro e comprado o catálogo do segundo).

Quando ele pensava no próprio legado artístico e cultural, Presley e os Beatles permaneciam no fundo da mente dele. O interesse musical dele, contudo, também incluía influências menos óbvias, tais como Led Zepelin, Yes, Grace Jones e Radiohead. “Eu tive todo tipo de fitas, e algumas que as pessoas, provavelmente, nunca pensariam que eram minhas”, ele disse uma vez.

Esse vasto reservatório de conhecimento musical apareceu através da música dele. Para “Wanna Be Startin’ Something”, ele incluiu um grito africano inspirado pelo saxofonista de Camarões, Manu Dibango, o “Soul Makossa”; em “Little Susie”, ele usou uma seção da obra de coral do compositor francês Maurice Duruflès, Requiem Op. 9; em “2Bad” ele apresentou samples dos pioneiros de hip-hop, Rum-D.M.C. Como Greg Tate observou, Jackson estava disposto a pegar “todos que, ele pensava, fariam a expressão dele próprio mais visceral, moderna e excitante.”
Uma das coisas que fez Jackson único como um artista, porém, é que muitas das influências eram nada além de modernas e contemporâneas. Quando perguntado qual foi a maior inspiração dele para Thriller, ele não responde Prince ou The Police; ele dizia que foi o compositor russo do século dezenove, Tchaikovsky. “Se você pega um álbum como Nutcracker Suite”, ele explicou, “todas as músicas são excelentes, todas elas. Portanto eu dizia a mim mesmo: ‘ Por que não pode haver um álbum pop (assim?)’” Isso não era apenas uma visão da consistente qualidade que música clássica inspira.
Desde a juventude dele, Jackson tem escutado compositores como Tchaikovsky, Debussy, Prokofiev, Beethoven, Bernstein e Copland. Jackson era, particularmente, atraído por peças Românticas e Impressionistas, que continham melodias fortes e vívidas, cores emocionais.
Para Jackson, música era sempre muito visual; ele era atraído, portanto, para peças as quais eram ligadas, ou evocavam, algum tipo de presença visual, como o Arabesque Nº 1, de Debussy, ou Peter and the Wolf, de Prokofiev. Influências clássicas permanecem na obra de Jackson, às vezes, até literalmente, como prelúdios ligados à própria composição dele.
Jackson era, também, um devotado fã de musicais, incluindo The Sound of Music, Singin’ in the Rain, My Fair Lady e West Side Story e incorporou o estilo deles tanto nos vídeos, quanto nos álbuns dele. Essa é uma influência que, algumas vezes, o colocou em desacordo com tradicionais críticos de rock, que sentiam que ele era muito “teatral”. Mas Jackson nunca desviou do amor dele por show de música. Ele era também obcecado por filmes: todos os velhos filmes da MGM, tudo da Disney, Spielberg, Lucas, Hitchcock e Francis Ford Copola. Ele assistiria a filmes como E.T, The Elephant Man e To Kill a Mockingbird, repetidamente, e choraria todas as vezes. “Em filmes, você vive momentos”, ele explicou. “Você tem a audiência por duas horas. Você tem o cérebro deles, a mente deles, você pode levá-los a qualquer lugar que você queira levá-los. Você sabe, e essa ideia é fascinante para mim, que você possa ter o poder de mover as pessoas, de mudar a vida delas.”
O intenso amor de Jackson pela tela de prata geraria muitas paixões. Ele era fascinado por todas as coisas de Shirley Temple e Elizabeth Taylor (os boatos sobre “altares” para ambas era verdade). Ele ostentava uma coleção de desenhos animados maior que Paul McCarteney. Ele poderia assistir aos Três Patetas por horas sem fim. Ele, famosamente, alegava que ele “era Peter Pan”, tão grande era a afinidade pelo icônico herói de J.M. Barrie. Jackson estudava o trabalho de todos os principais dançarinos do século, incluído Fred Astaire, Gene Kelly, Bob Fosse, Martha Graham, Alvin Ailey e Jeffrey Daniel (todos os quais igualmente o admiravam). A mais profunda afinidade dele, porém, poderia ter sido com a lenda do cinema, Charlie Chaplin, uma figura paradoxalmente similar, que foi criado na pobreza e se tornou o maior entertainer da época dele.
Alguém pode descobrir os movimentos de Chaplin, estilização e combinação de exuberância e emoção através do trabalho de Jackson.
Não apenas ele observou e escutou a essas pessoas, ele leu sobre elas. Jackson era um leitor voraz. Desde a infância dele até os anos finais, ele visitaria livrarias e viria para casa com pilhas de livros. A biblioteca pessoal dele continha mais de 20 mil títulos, incluindo biografias, poesia, filosofia, psicologia e história. Jackson lia sobre a escravidão afro-americana e o movimento dos direito civis, sobre Edson e Galileo, sobre religião e espiritualidade. Ele lia novelas de J.M. Barrie e Charles Dickens.
Ele lia Blake, Emerson e Wordsworth. Ele, famosamente, forçava a equipe dele a ler a biografia de P.T. Barnum e, frequentemente, citava passagens das biografias de Michaelangelo e Albert Einstein.
Quando Jackson fazia um álbum ou dançava ou criava vídeos musicais, ele estava puxando de um imenso depósito mental. Isso era um diverso e vibrante mundo de imaginação, que, para Jackson, era apenas tão real quanto à vida dele, senão, ainda mais.
Em uma parte não pequena, por causa dessa influência elétrica, o trabalho do próprio Jackson foi caracterizado pela fusão: de diferentes eras, diferentes estilos, diferentes mídias e diferentes gêneros. Em razão disso, avaliar o trabalho dele é mais que desafiante, pois eles nunca isolaram expressões.
Em Black or White, por exemplo, há elementos de rock clássico, R&B, rap e pop. Mas é também um curta-metragem que se desenha a partir de fontes tão díspares quanto a Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Geny Kelly; e a Do The Right Thing, de Spike Lee. Além disso, é uma rotina de dança que aproxima inúmeros estilos, de sapateado a hip hop e dança moderna. Para cada peça, há “um longo primeiro plano” que faz o trabalho dele parecer simultaneamente familiar (porque é historicamente informado) e novo (porque é uma fusão de formas muito únicas e criativas).
Quando se avalia a música de Jackson, é particularmente importante levar em conta a representação visual dela. Mais que qualquer outro artista antes dele, nós “vemos” as músicas de Michael Jackson, através das interpretações dele e vídeos. É quase impossível escutar faixas como “Thriller”, “Bad”, “Smooth Crmiminal” e “Black or White” sem visualizar os figurinos de Jackson, coreografia e narrativas cinematográficas. Alguns puristas da música, tanto dos anos 80 quanto de hoje, têm lamentado essa tendência de fusão de meios, sentindo que isso polui a integridade da música. Antes de Jackson, é claro, muitos outros artistas, incluindo Elvis Presley e Beatles, apresentaram as músicas deles visualmente em filmes e na televisão. Durante a maior parte dos anos 70, porém, a forma artística conhecida com “music-video” foi, essencialmente, uma ignorada ferramenta de promoção, realizando produções pobres, pequenos orçamento e narrativas ruins.
Em 1983, contudo, Jackson reinventou completamente as possibilidades. Billie Jean e Beat It iniciaram a transformação, substituindo montagens promocionais baratas por produções elaboradas, completamente concebidas, que continham narrativas fortes, visual e efeitos espetaculares e, é claro, a característica coreografia e movimentos de dança de Jackson. Depois veio o inovador vídeo de quatorze minutos de “Thriller”, o qual custou mais de meio milhão de dólares para ser feito e se tornou o vídeo caseiro em VHS mais vendido de todos os tempos. Thriller é, agora, quase universalmente considerado o vídeo musical mais influente da história.
Tal inovação nos meios continuaria por toda a carreira de Jackson, fazendo dele a definição de artista visual da geração MTV. Desde a pioneira atração 4-D, Capitain EO, ao espetáculo gótico de quarenta minutos, Ghosts, Jackson esteve sempre à frente, expandindo as possibilidades dos meios, enquanto inflamava a imaginação dos espectadores.

Na verdade, em retrospecto, como o crítico cultural Hampton Stevens notou, “A tradicional sabedoria convencional, repetida tantas vezes, de que os vídeos de Jackson fizeram a MTV e, daí, ‘mudaram a indústria da música’ é apenas metade da verdade. É mais como se a indústria da música tivesse inflado para abranger o talento de Jackson e se encolhido, de novo, sem ele.
Os vídeos não importavam antes de Michael e eles deixaram de importar quase no momento cultural preciso em que ele parou de produzir grande obra.”

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qua 22 Maio 2013 - 9:32

Introdução V “Incorporando Mídia”

Em uma parte não pequena, por causa dessa influência elétrica, o trabalho do próprio Jackson foi caracterizado pela fusão: de diferentes eras, diferentes estilos, diferentes mídias e diferentes gêneros. Em razão disso, avaliar o trabalho dele é mais que desafiante, pois eles nunca isolaram expressões.
Em Black or White, por exemplo, há elementos de rock clássico, R&B, rap e pop. Mas é também um curta-metragem que se desenha a partir de fontes tão díspares quanto a Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Geny Kelly; e a Do The Right Thing, de Spike Lee. Além disso, é uma rotina de dança que aproxima inúmeros estilos, de sapateado a hip hop e dança moderna. Para cada peça, há “um longo primeiro plano” que faz o trabalho dele parecer simultaneamente familiar (porque é historicamente informado) e novo (porque é uma fusão de formas muito únicas e criativas).
Quando se avalia a música de Jackson, é particularmente importante levar em conta a representação visual dela. Mais que qualquer outro artista antes dele, nós “vemos” as músicas de Michael Jackson, através das interpretações dele e vídeos. É quase impossível escutar faixas como “Thriller”, “Bad”, “Smooth Crmiminal” e “Black or White” sem visualizar os figurinos de Jackson, coreografia e narrativas cinematográficas. Alguns puristas da música, tanto dos anos 80 quanto de hoje, têm lamentado essa tendência de fusão de meios, sentindo que isso polui a integridade da música. Antes de Jackson, é claro, muitos outros artistas, incluindo Elvis Presley e Beatles, apresentaram as músicas deles visualmente em filmes e na televisão. Durante a maior parte dos anos 70, porém, a forma artística conhecida com “music-video” foi, essencialmente, uma ignorada ferramenta de promoção, realizando produções pobres, pequenos orçamento e narrativas ruins.
Em 1983, contudo, Jackson reinventou completamente as possibilidades. Billie Jean e Beat It iniciaram a transformação, substituindo montagens promocionais baratas por produções elaboradas, completamente concebidas, que continham narrativas fortes, visual e efeitos espetaculares e, é claro, a característica coreografia e movimentos de dança de Jackson. Depois veio o inovador vídeo de quatorze minutos de “Thriller”, o qual custou mais de meio milhão de dólares para ser feito e se tornou o vídeo caseiro em VHS mais vendido de todos os tempos. Thriller é, agora, quase universalmente considerado o vídeo musical mais influente da história.
Tal inovação nos meios continuaria por toda a carreira de Jackson, fazendo dele a definição de artista visual da geração MTV. Desde a pioneira atração 4-D, Capitain EO, ao espetáculo gótico de quarenta minutos, Ghosts, Jackson esteve sempre à frente, expandindo as possibilidades dos meios, enquanto inflamava a imaginação dos espectadores.
Na verdade, em retrospecto, como o crítico cultural Hampton Stevens notou, “A tradicional sabedoria convencional, repetida tantas vezes, de que os vídeos de Jackson fizeram a MTVe, daí, ‘mudaram a indústria da música’ é apenas metade da verdade. É mais como se a indústria da música tivesse infldo para abranger o talento de Jackson e se encolhido, de novo, sem ele.
Os vídeos não importavam antes de Michael e eles deixaram de importar quase no momento cultural preciso em que ele parou de produzir grande obra.”

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 27 Maio 2013 - 15:00

Livro Man In The Music: Introdução VI “Cantando Além da Linguagem”





Embora este livro reconheça as contribuições da dança e dos filmes de Jackson, porém, ele enfatiza o trabalho dele como cantor e compositor. Talvez, em parte, porque as habilidades de Jackson nessas outras áreas, as habilidades notáveis dele como vocalista e compositor são, muitas vezes, esquecidas. Há, sem dúvidas, uma variedade de razões para essa negligência, uma delas é que a avaliação do trabalho de Jackson é muito diferente da de um cantor tradicional, como Bruce Sprinsteen e Bob Dylan.
Com Dylan, as melodias estão quase sempre na frente e centradas em avaliações críticas; no entanto, para Jackson, elas podem ser, muitas vezes, auxiliares ou, pelo menos, uma das tantas mídias a considerar. Na verdade, mesmo nas vocalizações dele, parte do distintivo estilo de Jackson é a habilidade dele de transmitir emoção sem o uso da linguagem: há as características engasgadas, suspiros, grunhidos, gritos, choros e exclamações, ele, também, frequentemente, fala de forma tão rápida, torce e contorce a palavra, até que fique praticamente indecifrável. A ideia é fazer a audiência “sentir” a música com impressão dos sentidos, em vez de focar inteiramente nas palavras. Tal “impressão”, é claro, pode ser mais difícil de analisar.
O método mais instintivo de Jackson foi algo que ele aprendeu assistindo os maiorais do funk, soul e rythm and blues. Mas ele desenvolveu um estilo que era inegavelmente dele próprio. Era uma voz que, brilhantemente, evocaria emoções extremas, injetando as letras mais comuns com profundidade e emoção. “(Michael)”, observou Quincy Jones, “tem algumas das mesmas qualidades dos grandes cantores de jazz, com os quais eu trabalhei: Ella, Sinatra, Sassy, Aretha, Ray Charles, Dinah.
Cada um deles tem esta pureza, esta canção fortemente marcada e que abre a ferida, que os empurram para a grandeza. Cantam esmagando a dor deles, curando as mágoas deles, e dissolvendo os problemas deles.
Música é a libertação deles da prisão emocional”.
De um ponto de vista técnico, o amplo alcance de Jackson permitiu que ele se movesse de forma fluída por, aproximadamente, quatro oitavas (isso foi algo em que ele trabalhou muito duramente para alcançar, quando adulto, embora ele raramente empurrasse o alcance dele para além dos limites). Um tenor natural, o canto dele no tom mais agudo era suave e sublime, mas ele também podia ser efetivo nas notas mais baixas, ocasionalmente, até caindo para um barítono. Todos que trabalharam com ele comentam sobre a afinação perfeita dele. O treinador de voz de longa data dele, Seth Riggs, maravilhou-se tanto com as habilidades quanto com a dedicação dele. Jackson, afinal de contas, era uma dos mais talentosos cantores infantis de todos os tempos. As pessoas, muitas vezes, pensam que foi fácil a transição dele para um cantor adulto, mas foi preciso uma enorme quantidade de trabalho e desenvolvimento. Ele teve que encontrar novas formas de abordar os sons e novas formas de empregar o conjunto de habilidades dele.
O que Jackson pode ter perdido em elasticidade juvenil, ele fabricou em criatividade e versatilidade. Atráves de Off The Wall, apenas, pode-se viajar do êxtase falseteado de “Don’t Stop Till You Get Enough”, ao calor sutil de “Rock With You”, à original percussão de “Workin’ Day And Night”, à improvisação de jazz de “I Can’t Help It”, ao vulnerável sussurro de “She’s Out of My Life”.

Em álbuns subsequentes, ele disparou sobre majestosos hinos ao lado de coros gospel, emitiu corajosos scratch vocais em “Dirty Diana” e “Give Into To Me” e implementou raps falados e beatboxing em muitas das faixas ritmo. “Jackson era um dançarino no coração”, escreveu o critico musical Neil McCormick, “e as proezas vocais dele expressavam-se alegremente dentro e em volta do ritmo.

Ele gostava de fazer várias faixas com a propria voz, de modo que ele desfiava a própria voz, perguntando e respondendo a si mesmo. Eu, muitas vezes, pensei que esta era uma daquelas vozes que se destacaria em qualquer contexto, o que você não pode dizer de muitos cantores pop, atingindo um espaço que está, emocionalmente, direto no fundo, mas é quase mais que humano, transcendendo todas as divisões, da mesma forma que, às vezes, um supercantor mundial pode, além da linguagem, em música pura”. Isso, na verdade, foi o que ele objetivou alcançar com o canto dele. Escute ao choro sem palavras de Jackson em “Earth Song” ou nos *scatting dele na inacabada “In The Back”. Palavras não são necessárias, a emoção profunda é demonstrada perfeitamente na apresentação dele. A voz dele é música.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qua 29 Maio 2013 - 12:14

Livro Man In The Music: Introdução VII “Música é Tapeçaria”


Jackson usava a musicalidade intuitiva dele como compositor também.
Embora ele não lesse música ou tocasse instrumentos perfeitamente, ele podia, vocalmente, transmitir o arranjo, o ritmo, o tempo e a melodia da faixa, incluindo quase todos os instrumentos. “Ele começava com o som e com a música completa”, explica o produtor Bill Bottrell. “Normalmente ele não começava com as letras, mas ele escutava todo o arranjo da música na cabeça dele… Ele cantarola coisas. Ele pode demonstrar os sons com a voz dele como ninguém. Não apenas cantando as letras das músicas, mas ele podia demonstrar um sentimento em uma parte de bateria ou em uma parte de sintetizador. Ele era realmente bom em transmitir essas coisas.” Muitas vezes, Jackson vocalizaria uma nova música, em uma gravação em fita, até que ele pudesse checar em estúdio; outras vezes, ele ligaria para um músico ou produtor e ditaria para ele ou ela, diretamente.
“Uma manhã (Michael) veio com uma nova música que ele tinha escrito durante a noite”, recorda o engenheiro assistente Rob Hoffman. “Nós chamamos um guitarrista e Michael cantou todas as notas de todos os acordes para ele. ‘Aqui está o primeiro acorde, primeira nota, segunda nota, terceira nota. Aqui está o segundo acorde, primeira nota, segunda nota, terceira nota’, etc. Nós, então, o testemunhamos dando as mais sinceras e profundas performances vocais, ao vivo, na sala de controle no SM57.
Ele cantaria para nós todo o arranjo das cordas, todas as partes. Steve Porcaro, uma vez, me disse que ele testemunhou (Jackson) fazendo assim com uma seção de cordas na sala. Tinha tudo na cabeça dele, harmonia e tudo. Não apenas oito pequenos versos de repetições de ideias. Ele, na verdade, cantaria o arranjo inteiro em uma gravação microcassete completa, com todas as paradas e retomadas.”
Uma vez que Jackson tinha a fundação da música, ele começaria a pincelá-la, camada por camada, um processo que poderia, às vezes, levar poucas semanas e, às vezes, levar anos. “Música é tapeçaria”, ele explicou. “São camadas diferentes, tecendo dentro e fora e se você olhar para as camadas, entende melhor.” Ele gostava de dar tempo para que a música se revelasse. Se não estava toda lá, ele mudaria para outra coisa e voltava àquela música depois. Aqueles que trabalharam com ele falam da paciência dele, do foco e genuíno comprometimento com a profissão dele. “Ele era um profissional consumado”, lembra-se o diretor técnico Brad Sundberg. “Se os vocais dele estavam agendados para um pessimista meio-dia, ele estaria lá às 10 horas, com o treinador de voz dele, Seth (Riggs), cantando escalas. Sim, escalas. Eu configuraria o microfone, checaria o equipamento, faria café, e tudo enquanto ele cantaria escalas por duas horas.”
No estúdio, Jackson tinha todas as preferências específicas. Antes de cantar, ele sempre iria pedir uma bebida escaldantemente quente com pastilhas para tosse, para relaxar as cordas vocais dele. Ele gostava da música bem alta e os colaboradores dele, muitas vezes, tinham que usar protetores auriculares ou deixar a sala. Ele, normalmente, cantava com as luzes apagadas, pois a escuridão permitia que ele se imergisse totalmente na música sem sentir-se constrangido.
Enquanto ele cantava, também dançava, tamborilava e estalava os dedos. Se ele ainda não tinha a letra escrita, ele iria, simplesmente, cantarolar quaisquer palavras pela música ou comporia as palavras à medida que avançava. Entre sessões, ele gostava de rabiscar em pedaços dispersos de papel ou brincar com animais que ele trazia, incluindo o chipanzé dele, Bubbles e a jiboia dele, Muscles (que gostava do calor do painel de controle).
Apesar dos caprichos dele, é praticamente impossível encontrar alguém com quem Jackson trabalhou que não tenha ido embora com um profundo nível de respeito e admiração. Mesmo quando a vida pessoal dele estava em desordem, os colegas criativos dele testemunharam um indivíduo muito diferente do homem retratado nos tabloides. De produtores a engenheiros assistentes e músicos parceiros, eles o descrevem com possuindo certa “aura”, mas sendo honesto, humilde e gentil.
Eles descrevem o senso de humor dele e a gargalhada “estrondosa”; eles descrevem a curiosidade dele; eles descrevem a paixão e o excitamento dele por cada novo projeto. “Todas as músicas de Michael foram realizadas com um senso de alegria que eu nunca tinha experimentado com outros artistas”, recorda o longínquo engenheiro de gravação, Bruce Swedien. “Não apenas piada e gargalhadas e coisas assim, eu quero dizer verdadeira alegria musical… A paixão dele pelo que estávamos fazendo era infinita.”
O produtor Bill Bottrell, que trabalhou de perto com Jackson durante as sessões de Bad e Dangerous, elogia-o por desafiá-lo e pressioná-lo como um artista parceiro. “(Ele) começava me pedindo para assumir mais responsabilidade, tocar mais música, escrever música, tocar mais instrumentos… Ele mudou minha vida. E essa sensação nunca terminou.” Bottrell, e outros, não apenas fala sobre ser tratados como iguais, mas também sobre a sincera apreciação de Jackson pelo talento e pela contribuição deles. O compositor/músico Brad Buxer, que trabalhou intimamente com Jackson por vinte e cinco anos, recorda a emoção de apenas encontrar o acorde ou a batida certa. “Quando você fazia algo que (Michael) gostava”, Buxer diz, “ele diria: ‘É isso. Isso é perfeito. Grava isso no cimento. ’ Nós chamávamos uma versão que era especial de ‘versão bíblica’. Nós trabalhávamos em milhares de versões, mas nós colocávamos ‘Bíblico’ na melhor…
Era apenas um momento extremamente prazeroso, divertido, por causa da liberdade musical. Você sabia no fim do dia que você tinha alguma coisa… Isso nunca ficou velho, nunca ficou antigo”
Fazer música, para Jackson, raramente, era um ato isolado. A ideia poderia vir em um momento de solidão, mas era realizada de forma muito parecida como um diretor realiza um filme: através de uma dinâmica e descentralizada interação de criatividade. Jackson adorava reunir talentos e ser parte em um time criativo. Uma vez que ele encontrava as pessoas certas, desde as primeiras sessões de Off The Wall, com Quincy Jones e Bruce Swedien, ao último trabalho dele, o lema continuou o mesmo: música primeiro.
A música que resultava era de alta qualidade, na verdade. É também muito mais diversa que os ouvintes de música comum percebem. Além do funk, R&B, rock, soul, jazz e disco, ele, também, experimentou clássicos, Brodway, gospel, latina, hip-hop, eletrônica e industrial, entre muitos outros estilos. Jackson, muitas vezes, foi criticado pelo ecletismo dele, com pessoas alegando que ele estava simplesmente alvejando índices demográficos, mas ele se defendeu alegando que a música não tem fronteiras. “Eu não coloco música em categorias.” Ele disse em uma entrevista, em 2002: “Música é música… Como nós podemos discriminar?”.
Essa era a filosofia dele e essa era a marca da música e da arte dele. Assim como os Beatles fizeram rock inclusivo o bastante para ter elementos do folk, blues, psicodélico, música oriental e clássica, Jackson fez um “pop”, multigênero, um negócio multimídia, que foi sem limites na variedade de sons, estilos e possibilidades.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 3 Jun 2013 - 14:41

Introdução VIII “Evolução Artística”


Apesar da experimentação e evolução dele, porém, o conhecimento convencional, da maior parte da mídia e dos críticos musicais, por décadas, foi a de que Michael Jackson alcançou o auge artístico com Off The Wall e Thriller e tudo que veio em seguida se revelou um lento e constante declínio. No obituário de 2009, o New York Times se referiu à carreira dele, pós-Thriller, como “uma bizarra desintegração.” O que fez a obra dele tão “bizarra” nestes anos? Nada específico é mencionado, além da “bizarra vida privada” dele, equiparada à música ruim.
Da mesma forma, na retrospectiva do Times, Josh Tyrangiel escreveu: “Dado o tumulto na vida pessoal dele, não é surpresa que os anos 90 tenha sido um período estéril para Jackson criativamente.” Tyrangiel não explica por que o tumulto pessoal tinha provido tanta fertilidade criativa para outros artistas, como Ray Charles, John Lennon e Kurt Cobain (entre milhares de outros), mas não a Jackson. Ele também não explica como a prolífica produção criatividade de Jackson durante aquela época – Jackson escreveu e gravou mais músicas e lançou mais álbuns e vioclipes nos anos noventa que nos anos oitenta – pode equivaler a um “período estéril”.
O crítico musical John Pareles, pelo menos, ofereceu uma crítica mais superficialmente específica, dizendo que foi a perda da inocência de Jackson que levou a arte dele ao declínio. “A doçura básica que fez o senhor Jackson cativante, apesar das esquisitices dele, coagulou”, ele escreveu. Os critérios que fizeram o trabalho de Jackson ressoante, então, para Pareles é a “doçura”, embora ele não tente conciliar isso com as primeiras músicas liricamente perturbadoras como “Billie Jean” e “Wanna Be Startin’ Somethin’.” A expectativa de uma “doçura” eterna é algo mais que estranho, dado que conflito, raiva, agitação, protesto social e desilusões têm sido estimulo para algumas das músicas mais poderosas.
Uma séria avaliação de toda a obra de Jackson tem faltado aos críticos, que têm, frequentemente, recorrido a vagas generalizações, dispensas condescendentes e muito moralistas. A variedade do trabalho dele, como resultado é, frequentemente, tanto fundamentalmente malcaracterizada, quanto mal interpretada. Na verdade, contrariamente à maior parte das narrativas, uma análise mais fiel da carreira solo de Jackson revela uma extraordinária evolução artística.
Um adequado paralelo, na verdade, são os Beatles, que, da mesma maneira, começaram cantando grandes músicas de amor, mas continuaram desafiando a si mesmos e ao público deles com novas músicas e arranjos, letras mais complexas e socialmente conscientes e delectus personae, que desafiaram os valores normativos e premissas do tempo deles. Igualmente, observa o critico cultural Armond White, “A carreira de Jackson, abrangendo desde uma adorável estrela mirim a um deslumbrante jovem adulto a um eterno-desconcertante conquistador do mundo, mostra uma imaginação inquietante.
Ele empurra a cultura para frente, desafiando-a, enquanto ele também desafia a si mesmo. A natureza idiossincrática dele revelou enigma e fascínio, mas também atormentou o status quo. O que é muito irônico para um astro pop fazer.” O reconhecimento de White, no entanto, revelou ser exceção, não a regra. Enquanto muitos críticos, antes e agora, têm elogiado profusamente os Beatles pelo amadurecimento e transformação deles, Jackson tem sido, muitas vezes, caracterizado como um superficial caçador de recordes, que falhou em superar o sucesso comercial de Thriller, de alguma forma, validando a percepção de que a música perdeu o valor.
Mais recentemente, tal pensamento convencional está sendo reconsiderado, pois o público e os críticos, da mesma forma, voltam aos álbuns e vídeos – muitas vezes, no que se refere ao último trabalho dele, escutando-os pela primeira vez – e reavaliam o valor estético e cultural dele. O que a reavaliação deles tem revelado e, sem dúvida, continuará a revelar, é que, enquanto os números de vendas e impacto cultural nos Estados Unidos possam ter declinado, a riqueza, profundidade e arte, não. Alguém precisa olhar para a evocativa e poética, “Stranger In Moscow”, uma das mais poderosas expressões de alienação desde a “A Day in the Life”, dos Beatles, ou o principal trabalho pop gótico, “Is It Scary” que se tornou um espelho em uma acusação social ou o vídeo musical para “Black or White”, que mistura sátiras e idealismo, antes de desencadear no totalmente destemido (e artisticamente sofisticado) refrão.

Tal trabalho pode ter um mostruário diferente, uma versão menos alegre de Jackson, mas certamente não foi estéril, nem chato. “O que é interessante”, observa Milka Gilmore, da Rolling Stones, sobre este sempre esquecido período criativo, “é que esse foi… o tempo no qual Jackson fez uma das mais interessantes artes dele: uma das mais espirituosas, mais dolorosas, iradas e, de longe, mais politicamente explícitas e perturbadoras”.
Mas é um erro pensar que esses temas mais desafiadores somente emergiram mais tarde na carreira dele. Certamente, um dos maiores comentários sociais dele veio, mais acentuadamente direto, quando a carreira dele progrediu, particularmente em Dangerous, HIStory e Blood on the Dance Floor, mas a tensão sempre esteve lá. Como Jody Rosen da Slate escreveu: “Embora ele tivesse objetivo maior e mais amplo que qualquer outro pop star, antes ou depois – ele queria que cada pessoa no mundo comprasse os álbuns dele –, ele nunca se comprometeu.
A música dele está mais estranha e mais sombria que nunca para alcançar o sucesso blockbuster; por comparação, Sinatra, Elvis, os Beatles e Madonna são modestos.”
Isso, é claro, não quer dizer que não houve também momentos de leveza. Mesmo nos últimos trabalhos dele houve ainda momentos de inalterada alegria, músicas que simplesmente fazem você querer dançar, como “You Rock My World”, músicas que capturam a essência de estar apaixonado, como o clássico retrô-soul, “Butterflies”, ou a pura alegria nostálgica de “Remember The Time”.
Mas Jackson sempre acreditou que a música podia salvá-lo e, assim, ele poderia levar a audiência dele consigo. Portanto, em “Startin’ Something’” há um extraordinário final, no qual Jackson grita, “Eu sei que eu sou alguém!”, antes de, simbolicamente, se ligar a uma comunidade, com o coletivo grito africano: “ma ma se ma ma sa ma ma coo sa”. Do mesmo modo, em “Man in the Mirror”, amor egoísta é substituído por compaixão, criando uma identidade que está integrada com outros.
É claro, nem todas as músicas fornecem esse tipo de conexão e transformação. Porém, era isso o que, Jackson acreditava, em princípio, a música podia realizar.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qua 5 Jun 2013 - 10:43

Introdução IX “Quebrando Barreiras”

Em virtude da natureza da arte dele, não deveria ser surpresa que a realização cultural principal de Michael Jackson – mais que o número de álbuns vendidos, prêmios, inúmeros protegidos e mesmo a filantropia – foi quebrar as barreiras que tipicamente dividiam a humanidade.
Isso primeiro começou mais proeminentemente com raça, pois a popularidade massiva de Jackson forçou as radios, revistas e estações de televisão, como a MTV a, finalmente, abandonar o pretexto para a divisão ou a viabilidade mais fraca para o rock/R&B e abrir os portões da oportunidade para artistas negros.
Houve, é claro, muitos outros artistas negros de sucesso antes de Jackson. Contudo, ninguém alcançou o estratosférico nível como Elvis Presley e os Beatles. Para muitos, simplesmente, parecia natural e inevitável que um artista branco fosse maior e melhor que um artista negro.
Mas nos anos oitenta, Michael Jackson, finalmente, acabou com esse mito. Thriller não foi apenas o álbum mais vendido por um artista negro ou o melhor álbum da década; foi o álbum mais vendido, ponto. Maior que Elvis. Maior que os Beatles. Maior que os Stones. Para afro-americanos, portanto, foi uma enorme fonte de afirmação e realização.
A música que eles inventavam estava, finalmente, sendo reconhecida como de alto nível. Como Greg Tate colocou: “Os negros amaram os progressos de Thriller, como se isso fosse a própria aríetes deles (contra) a apartheid”.
O sucesso dele, é claro, não era apenas significativo para afro-americanos. “Embora enraizado em experiências negras”, escreveu o crítico cultural Michael Ericson Dyson, “ele sentia que seria um crime limitar a música dele a uma raça, sexo, gênero, etnia, orientação sexual ou nacionalidade. A arte de Michael transcende todas as formas eu seres humanos tem pensado para se separarem e, assim, curou essas divisões, pelo menos, no instante em que estamos compartilhando a música dele”. Isso era uma universalidade sem fronteiras que Jackson sempre almejou: “Desde uma criança a uma pessoa velha”, ele explicou, “desde fazendeiros da Irlanda a uma dama que esfrega banheiros no Harlem… eu quero alcançar toda a demografia que eu posso, através de amor e alegria e a simplicidade da música”.
Isso é, na verdade, em grande parte, o que ele realizou. Especialmente depois de Thriller, ele e a música dele foram abraçados em todo o mundo. “Michael é agora, muito simples, o maior astro da cultura pop universal”, escreveu a Rolling Stone, em 1984, “se não maior que Jesus, como John Lenon uma vez gabou para os Beatles, então maior que aquele grupo, ou qualquer outro ícone pop anterior”. Pelo início dos anos 90, os concertos dele foram vendidos desde a Alemanha ao Japão, da África do Sul à Austrália, Moscou e Praga.
As músicas dele tocavam em todos os cantos do mundo.
As letras das músicas dele eram mais bem conhecidas que os hinos nacionais.
Depois de Thriller, é claro, as coisas mudaram. Jackson permaneceu como o maior entretainer do mundo, mas se tornou incrivelmente polarizado. Michael Jackson sempre foi “diferente”; na verdade, as pessoas frequentemente se esquecem de como foi estranho que a mainstream América tenha, alguma vez, abraçado um homem que usava maquiagem, falava em voz aguda, vestia lantejoulas e vivia em uma miniatura da Disneyland. Enquanto os anos oitenta avançavam, porém, as excentricidades de Jackson se tornaram mais aparentes e pronunciadas, incluindo a “sempre-mudando” aparência física.
Michael Jackson representava algo diferente e incomum; e americanos, em especial, tiveram dificuldade em processar isso.
Ele foi estigmatizado como “esquisito” e “bizarro”.
Pelo meio dos anos oitenta, o rótulo “Wacko Jacko” já tinha sido adotado.
Nos anos subsequentes, a dominação cultural de Jackson começou a declinar, pois a mídia e o público, cada vez mais, o marginalizavam. Cada história de tabloides, cada escândalo, cada aparição pública fizeram com que ele parecesse mais estranho e assustador.
Ele era um estranho que, mesmo assim, continuava fascinando as pessoas. Mas aqueles anos também permitiram a ele um novo papel cultural: já diferente, ele foi duplamente marcado como o “outro” e, assim, milhões de pessoas no mundo, que não se encaixavam, por qualquer razão, identificaram-se com ele.
Enquanto a mídia implacável o ridicularizava e o coisificava, os fãs o viam como uma vítima da cruel e insensível cultura de exploração. Michael Jackson, eles sentiam, era uma alma pura e frágil, como um herói Keats, “cujas realizações não podiam ser separadas da agonia, que foi “espiritualizada” pelo declínio dele e… simplesmente, muito frágil para suportar as pancadas do mundo”. Steven Spielberg, uma vez, o descreveu como um “filhote de cervo em uma floresta em chamas”.
Jackson, ele mesmo, frequentemente reforçava esta personalidade delicada. Ele era o inocente homem-criança, sempre compensando pela infância perdida, o seráfico cantor, que recebia inspiração dos galhos da “arvore das dádivas” dele.
Mas enquanto os anos noventa avançavam, ele se tornou, cada vez mais, disposto a atacar de volta a sociedade que o desprezou. Ele foi o arquetípico artista mal compreendido: um gênio excêntrico perpetuamente em desacordo com o mundo em volta dele, comprometido com a visão criativa dele, independentemente das expectativas culturais. Ele também estava disposto a abraçar o lado sombrio do Romantismo – o Gótico – para expressar o horror, isolação e a ansiedade de ser um “monstro” em um mundo monstruoso.
No filme dele, Ghosts, de 1997, ele fez o papel do estranho, incompreendido intruso, enquanto um cidadão de “Vale Normal” tentava mandá-lo para fora da cidade. Mas ele não agiu como uma mera vítima inocente. “Se você quer ver/Excêntricas extravagâncias”, ele canta, “Eu serei grotesco diante dos seus olhos.” Na faixa final de Invincible, ele, igualmente, ostenta a personalidade “monstruosa” dele, provocativamente dizendo “você deveria se sentir assustado por mim”.
Nas últimas duas décadas da vida dele, portanto, Jackson desempenhou uma função cultural menos convencional, mas ainda valiosa. Ele não era mais o adorado supertar; ele era o supertar que falava para os marginalizados, da perspectiva dos feridos e esquecidos. Músicas como “We’ve Had Enough” e “They Don’t Care About Us”, expressam uma identificação e solidariedade com os oprimidos. A primeira é uma antidesgaste, a segunda, um grito de fortalecimento por todos que tinham sofrido injustiças. Era uma voz em desacordo com o estado anterior, denunciando a mídia em “Tabloid Junkie”, gritando hinos apocalípticos como “Earth Song” ou narrativas de grande desespero como “Little Suzie”.
Pra a maioria da mídia e dos críticos, porém, esta importância cultural foi esquecida em favor de uma dispensa redutora. “Diferentemente dos Beatles”, observou Jay Cocks, do Times, “ (Jackson) teve uma vasta audiência, mas uma pequena consistência”.
Em 1990, o renomado crítico musical Greil Marcus, famosamente, afirmou que Jackson foi a “primeira explosão pop a não ser julgada pela qualidade subjetiva da resposta que recebia, mas pelo número de transações comercias que isso provocou”.
Ele foi, em outras palavras, uma distração, um fenômeno, um espetáculo com superficial ressonância. A arte e a influência dele, desse modo, foram facilmente reduzidas e racionalizadas.
Elvis e os Beatles mudaram o mundo; Jackson foi apenas um artista comercial.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 10 Jun 2013 - 18:06

Introdução X ” Morte e Renascimento”


Aconteceu algo completamente inesperado, e trágico, para finalmente colocar a arte e as realizações culturais de Michael Jackson dentro de alguma perspectiva. Exatamente trinta anos depois de a carreira solo dele começar, em uma manhã de terça-feira, em junho, Michael Jackson morreu na casa dele, aos cinquenta anos de idade.
A notícia espalhou ondas de choque por todo o mundo. Da América à África, da Europa à Ásia, as pessoas souberam da tragédia por telefone, mensagens de texto, twetter, TV, rádio, sites de notícias na internet e redes sociais. O interesse foi tão avassalador que muitos wbsites proeminentes saíram do ar temporariamente ou ficaram congestionados, incluindo o Wikipedia, Google, TMZ e o Los Angeles Times. “Hoje foi um dia seminal na história da internet”, disse uma porta voz do America Online. “Nós nunca vimos algo assim em termos de alcance e profundidade.”
Na verdade, devido, em parte, à nova mídia, a resposta global à morte de Jackson foi, simplesmente, sem paralelo. Foi maior que a resposta à morte de Elvis Presley, John Lenon, do Papa João Paulo II, John F. Kennedy e da Princesa Diana. Especialista da imprensa estimaram que a morte de Jackson tenha sido assistida, na TV ou online, pelo aterrador número de um bilhão de pessoas.
Entretanto, dentro de horas dessa trágica notícia, as músicas e os vídeos de Jackson começaram o voar das prateleiras. Na semana seguinte à morte dele, nove das dez posições tops do Billboard Catalog Album Chart, nos Estados Unidos, pertenciam a Jackson, um marco jamais alcançado antes. Na semana seguinte, ele ocupou doze posições no topo. Ele também se tornou o primeiro artista no top 200 da Billboard com um álbum de coletâneas (Number Ones, apropriadamente, ficou na primeira posição por seis semanas não consecutivas).
No iTunes e em outros revendedores online, o Rei do Pop, igualmente, reinou supremo, batendo recorde depois de recorde de vendas digitais. Nos Estados Unidos, nenhum outro artista tinha vendido um milhão de downloads em uma semana; na semana seguinte à morte dele, com estoques limpados nas lojas, Jackson vendeu 2,6 milhões. Por todo o mundo, os álbuns musicais de Jackson alcançaram o primeiro lugar em todos os países em ranques digitais, incluindo Austrália, Japão, Nova Zelândia, Argentina e Alemanha. “Em vida”, escreveu Jerry Shriver do USA Today, “Michael Jackson era Rei do Pop, na morte, ele também reina como rei nas lojas on-line ”.
O parâmetro continuou. Pelo fim de 2009, Jackson tinha vendido mais de oito milhões de álbuns nos Estados Unidos e estimados trinta milhões de dólares no mundo inteiro, não apenas se tornou o artista que mais vendeu em um ano em disparado, mas, também, superou até mesmo seu próprio estratosférico recorde de venda, nos anos de glória deThriller.
Esses números impressionantes, é claro, nem mesmo contam os vários tributos e maratonas de Jackson na TV e radio, revistas comemorativas ou estimados quinze bilhões de acessos a vídeos de aparições de Jackson em sites como o youtube. Também não contam os milhões de pessoas que iriam ao cinema para assistir ao documentário This Is It, um documentário sobre os últimos ensaios para o concerto do cantor, que se tornou o melhor filme musical de todos os tempos.
Isso foi uma extraordinária volta ao topo para o Rei do Pop e fez ainda mais, considerando o contexto. Jackson não lançava um álbum novo há oito anos; ele tinha apresentado apenas dois concertos (no Madison Square Garden em 2001) na última década; e a maior aparição pública foi na absolvição dele, em 2005, depois de meses de manchetes obscenas e presunção de culpa. Agora, mesmo para os detratores, a verdade é incontestável: apesar das controvérsias, escândalos e percepção de “estranheza”, o legado artístico e cultural de Michael Jackson foi enorme.

Houve aqueles que, é claro, alegaram que a resposta à morte de Jackson foi, simplesmente, um triste cabo da maratona da mídia por audiência e culto a celebridades. Isso é parcialmente verdade. Certamente, como é o caso em todas as mortes de grande visibilidade, a mídia foi rápida em explorar a passagem de Jackson para ganhar audiência, algumas vezes, com o sacrifício de algumas outras notícias importantes. Mas apesar do excesso e mitificação, a importância cultural dele é inquestionável.

Nos Estados Unidos, Jackson agora está ao lado de Elvis Presley e dos Beatles como uma das expressões populares mais culturalmente importantes na história da música. Globalmente, o alcance dele foi ainda maior. Alguns têm argumentado, muito persuasivamente, que ele foi “o artista mais influente do século vinte”.

Na esteira da morte dele, essa enorme influência internacional, estava em completa exibição. Reuniões espontâneas, de Los Angeles a Londres, Rio de Janeiro à Rússia, Kenya à Coreia, tocando a música dele e conduzindo vigílias. Muitas pessoas choraram; e outros cantaram e dançaram. Nas Filipinas, centenas de prisioneiros se reuniram para a coreografia de “Thriller”, o que se tornou uma sensação no youtube. No Irã, protestantes contra o regime repressivo cantaram “Beat It”. Em Gary, Indiana, a cidade industrial onde Jackson nasceu, centenas compareceram para prestar seus respeitos à humilde casa na 2300, Jackson Street. As pessoas levaram flores e fotos, cartas e velas. No Harlem, do lado de fora do legendário Teatro Apollo, avós, pais e filhos se uniram para lamentar e recordar; cada geração sabia e cantava as palavras das músicas dele. A música de Michael Jackson, como tinha por décadas, cruzou barreiras, conectou pessoas. “Foi um momento”, escreveu Rob Sheffield, “que resumiu tudo que amamos sobre Michael Jackson, pois todo carro, todo bar, toda janela aberta, parecia pulsar com a mesma batida, como se Jackson tivesse, com sucesso, sincopado o mundo inteiro aos ofegantes, íntimos e insistentes toques rítmicos dele”.

Na verdade, o que foi, talvez, mais surpreendente para muitos dos comentadores da mídia foi a emocional efusão que a morte de Jackson inspirou. A morte dele não apenas pegou as pessoas de surpresa; lembrou às pessoas o que ele significava para elas. A resposta foi particularmente profunda na comunidade afro-americana. “Do Capton ao Harlem”, escreveu Greg Tate, “nós temos testemunhado homens crescidos cair no choro por Michael; alguns dos meus mais obstinados amigos militantes negros, 24 horas, 7 dias por semana, homens e mulheres, igualmente, chorando, copiosamente, por dias, depois que eles receberam a notícia. Não é difícil entender por quê: para simplesmente todo mundo que nasceu na América Negra, depois de 1958, e isso inclui crianças, sobre as quais eu soube, têm nove anos de idade agora, Michael veio a possuir um bom pedaço de nossas melhores memórias de infância e de adolescência”.
Durante as semanas subsequentes, em entrevistas e comentários, pessoas após pessoas falavam sobre se sentir conectados a Michael Jackson, de “crescer com ele”, de sentir que a música dele fazia parte da “trilha sonora” da vida delas.
“Michael Jackson e os Jackson Five foram grande parte da minha infância”, escreveu um fã. “Ele foi minha primeira paixão, minha primeira dublagem, o primeiro poster colocado na minha parede, meu primeiro concerto. Eu tenho 44 anos, os Jacksons foram a primeira vez que eu, como criança, tive minha própria música. Eu sempre o amarei pelo talento dele e também por todas as especiais memórias de infância que eu aprecio. Descanse em paz, Michael. Eu sempre amarei você.”
“Como um cantor infantil”, lembrou-se outro comentador, “eu me lembrei de voltar para casa todo o verão do internato e explodir as músicas de MJ no meu som, assim que meus pais iam para o trabalho, e dançava como um bobo em volta da casa. Eu nunca me senti sozinho. Obrigado, Michael, pela música inesquecível e seu espírito maravilhoso”.
“Eu me lembro de quando eu dirigiria 200 milhas, todo os dias, para chegar à universidade”, compartilha outro admirador, “eu sempre confiaria no otimista álbum dele, Thriller, para me manter acordado, durante o longo caminho de volta para casa no Cojon.

De muitas formas, ele salvou minha vida durante essas longas jornadas tarde da noite. Eu tenho que dizer a você, muito pouco tem me abalado….
Mas a morte de Michael, eu estou sempre pensando sobre o amor que ele pode nunca ter dado a ele mesmo, mas trouxe para o mundo todo, através da música dele”.

Muitos falaram do impacto de Jackson na raça.
“Eu tinha 11 anos de idade, filha de um policial, quando os Jackson 5 apareceram na TV, lembra uma mulher. “Eu assisti por um minuto, então, eu disse: ‘Ele é uma gracinha’. A ira na nossa casa por aquele comentário inocente nunca será esquecida. Eu nunca tinha visto uma pessoa negra; o racismo e a ira dos meus pais foram incontroláveis.

Eu defendi Michael Jackson àquela noite e (meu pai) me levou para meu quarto e me bateu até eu prometer nunca falar sobre ele de novo. Até hoje, eu realmente não sou capaz de falar sobre o que aconteceu. Eu apenas vi o vídeo ‘Black or White’, pela primeira vez, e eu gostaria de ter visto anos atrás! Eu estava certa e Michael Jackson estava certo. Obrigada, Michael, de uma pequena garota branca que não vê branco ou negro.”
“Eu ainda posso me lembrar de ter 3 anos de idade, na sala de estar com meus irmãos mais velhos, e eles estavam assistindo ao vídeo ‘Rock With You’”, lembra um comentador. “Todos os lasers verdes e lantejoulas, eu pensei que MJ era (um) super-herói negro…
Ele deu a mim a inspiração para saber que você pode nascer como um garotinho negro na América e se tornar um Rei no mundo, apenas por usar talentos e dádivas, com as quais Deus abençoou você.”

Inúmeros comentários, também, revelaram os seguidores internacionais de Michael Jackson. “Nós temos sido privados de muitas coisas por muitos anos, que a música dele abriu um completo mundo novo para nós”, disse uma fã russa, Valentina Gromova. “Havia muita energia nele.”
“Quando eu era criança”, escreveu outro comentarista, “ele era muito popular em nossa vila remota na Índia. Naquela época, nós nem mesmo sabíamos quem era o presidente americano, mas nós conhecíamos Michael Jackson.
Nós desfrutamos a música dele, muitíssimo, mesmo sem entender o significado de uma palavra sequer. Esse é o poder da música”.
“Michael Jackson era muito amado na África”, lembra Nana Koram. “Eu cresci em Ghana adorando este Rei do Pop. Ele era um das mais talentosas e icônicas figuras da indústria da música, que transgrediu todas as barreiras culturais, apesar do fato de que ele cantava apenas em inglês.”
Nas semanas seguintes à morte de Jackson, comentários e memórias como essas verteram de todos os cantos do mundo. Além de milhões de comentários nos sites de notícias, de música e de fãs, o site oficial de Jackson recebeu mais de quinhentos mil acessos de pessoas querendo oferecer condolências. Declarações de condolências e respeito também verteram de líderes mundiais.
“Ele entrará para história como um dos maiores artistas do mundo”, disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, (apesar da falha dele em reconhecer a arte de Jackson, mais abertamente, tenha irritado alguns fãs). O ex-presidente da Coreia do Sul e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Kim Dae-Jung, chamou Jackson “um herói do mundo”. No Rio de Janeiro (onde Jackson, uma vez, gravou um vídeo musical com Spike Lee para They Don’t Care About Us), o prefeito, Eduardo Paes, anunciou que a cidade ergueria uma estátua em honra de Jackson. O ex-presidente da África do Sul e ícone dos direitos civis, Nelson Mandela, que colaborou com Jackson em vários projetos sobre direitos humanos e caridades, chamou o amigo dele de “um membro próximo da nossa família…

Nós tínhamos grande admiração pelo talento dele e por ele ter sido capaz de triunfar sobre a tragédia em muitas ocasiões na vida dele”.
A admiração alcançou os colegas de Jackson também. “É tão triste e chocante”, disse Paul McCartney. “Eu me senti privilegiado por ter me relacionado e trabalhado com Michael. Ele foi um massivamente talentoso homem-menino com uma alma gentil. A música dele será lembrada para sempre e minhas memórias de nossas horas juntos serão alegres.” A colega ícone pop, Madonna, da mesma forma, falou da profunda admiração dela por Jackson, tanto como artista como pessoa. “Em uma tentativa desesperada de manter a memória dele, eu fui para internet para pegar clipes antigos dele dançando e cantando na TV e no palco e eu pensei: ‘Oh, Deus, ele era tão único, tão original, tão raro. E nunca haverá alguém como ele de novo. ’ Ele era um rei. Mas ele também era um ser humano e, ai, somos todos seres humanos e, às vezes, nós temos de perder coisas antes de podermos verdadeiramente apreciá-las.”

Em Barcelona, o U2 prestou um tributo durante uma turnê, dedicando “Angel of Harlem” ao cantor, antes de seguir para “Man In The Mirror” e “Dont’t Stop Till You Get Enough”, enquanto noventa mil fãs cantavam juntos. Em Gladstonbury, Lady Gaga, também em turnê, soluçou com a notícia, mais tarde, elogiando Jackson como revolucionário e uma das maiores influências.

Nas semanas subsequentes, reconhecimentos vieram de aproximadamente todos os indivíduos na indústria da música e do entretenimento, de artistas do rock, como Slash e Eddie Van Halen, a rappers como Kanye West e Jay-Z, e cineastas como Steven Spielberg e Martin Scorsese.


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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 13 Jun 2013 - 12:46

Introdução XI ” O Homem na Música”



 


 

Mas de todas as declarações sentimentais e tributos, um dos mais íntimos e poderosos elogios veio do amigo e colega de longa data de Jackson da Motown, Stevie Wonder. Wonder, é claro, nunca viu Jackson se apresentar; ele nunca testemunhou as mudanças na aparência dele; ele nunca viu os vídeos musicais ou figurinos ou máscaras. Porém, ele conhecia Jackson em um nível muito mais profundo que a maioria. E ele escutou a música dele. Michael, ele sempre disse, era um presente.


No meio do frenesi da mídia, seguinte à morte de Jackson, Stevie Wonder não fez nenhuma declaração pública ou aparição. “Ele está emocionalmente perturbado e escolheu ficar quieto neste momento”, disse um representante. Semanas mais tarde, quando ele subiu no palco no memorial de Michael, ficou claro que ele continuava devastado. “Este é um momento que eu gostaria de não ter vivido para ver chegar”, ele disse.



Quando ele começou a tocar as cordas de abertura para “I Cant Help It”, no entanto, uma música que ele tinha escrito para o álbum Off The Wall, em 1970, ele parecia estar canalizando a energia de Jackson: aquela familiar, mas estranha, mistura de saudade tingida com tristeza.



No medley que se seguiu, uma apaixonada combinação de “Never Dreamed You’ d Leave in Summer” e “They Won’t Go When I Go”, Wonder permitiu que a música, ao mesmo tempo, recuperasse, lamentasse e testemunhasse. “Não mais amigos prostrados/ Esperando finais trágicos”, ele canta na letra da música, com uma audiência silenciosa escutando. Isso foi uma profunda canção gospel soul que evocou uma muito forte, pessoal, e visceral dor. Era uma música sobre perder um amigo, não um ícone.



 

Mas não foi somente perda que Wonder transmitiu; foi justa indignação. “Mentes imundas enganam o puro”, ele exclamou, “O inocente irá partir com certeza/Para eles existem um lugar de descanso.” Enquanto a música construía um clímax emocional, um angustiado Wonder derramou até a última gota de sua alma nela. Como se cantar essas palavras fosse, finalmente, afastar o circo em volta, o barulho trivial e revelar a essência, a humanidade e a tragédia de Michael Jackson.


“Michael, eles não irão,” ele chorou, “Eles não irão para onde você vai.” Quando Wonder terminou, a multidão aplaudiu, mas como Michael, ele parecia estar em outro lugar.


Para Wonder (e muitos outros), a morte de Jackson, pelo menos, significava que o sofrimento dele tinha terminado e ele poderia, finalmente, escapar para o vibrante mundo criativo que ele “concebeu”. Para aqueles deixados para trás, no entanto, incluindo os filhos dele, os amigos dele, a família e fãs, ainda havia uma profunda sensação de perda. Como Jackson, ironicamente, escreveu na autobiografia dele em 1988: “Sempre, no passado, artistas têm sido figuras trágicas. Muitos dos verdadeiros grandes artistas têm sofrido ou morrido em razão da pressão ou drogas… é muito triste. Você se sente enganado, como um fã, por você não os ter visto evoluir, enquanto eles envelheciam.”


Na metade dos anos noventa, a ex-mulher de Jackson, Lisa Marie Presley, lembrou-se dele, no meio de uma conversa sobre o pai dela, olhando para ela muito intensamente e dizendo com “uma quase tranquila certeza, ‘Eu tenho medo de terminar como ele, do jeito que ele morreu. ’” Não era algo que ele queria; na verdade, ele sempre expressou medo de morrer. Mas ele tinha lido e visto o bastante para saber que não era fácil sobreviver uma vida inteira na fama. Por mais de quarenta anos ele lutou com isso, jogou com isso, explorou isso, correu disso, escondeu-se disso, denuncio isso e descreveu o efeito disso na obra dele. No fim, o mundo o perdeu, mas ganhou “Billie Jean”, “Stranger in Moscow” e “Man in the Mirror”.


“Mesmo que a vida dele parecesse interiorizada”, escreveu o jornalista David Gates, “no exterior, foi manifestamente um trabalho de gênio, se você quer chamar isso de um triunfo ou um show bizarro, essas são apenas palavras. Nós nunca vimos ninguém assim antes, quer na inventividade artística dele ou na, igualmente, artística autoinvenção dele e nós não o esqueceremos até a grande Neverland nos engolir a todos”.



 

Michael Jackson continuou a criar e performar até a última noite dele. Ele disse para os colegas colaboradores dele que ele não podia dormir porque ele “não podia desligar; as ideias continuavam vindo; a imaginação dele não descansava. Ele tinha grandes planos para o futuro. “Isso era uma aventura”, ele disse ao último time criativo dele, “uma grande aventura”.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 17 Jun 2013 - 14:20

Livro Man In The Music – Cap 1 “Off The Wall”



 


 

“Eu estou interessado em fazer um caminho, em vez de seguir uma trilha e isso é o que eu quero fazer na vida – em tudo que eu faço.” MICHAEL JACKSON, EBONY, 1979



 

LANÇADO: 10 de agosto de 1979

PRODUTOR: Quincy Jones

NOTÁVIES CONTRIBUIDORES: Rod Temperton (compondo/arranjo), Bruce Swedien (engenheiro de gravação), Stevie Wonder (compondo), Paul McCartney (compondo), David Foster (compondo), Carol Bayer Sager (compondo), Tom Bahler (compondo), Patti Austin (vocais), Greg Phillinganes (teclado, arranjo), Steve Porcaro (teclado/sintetizador), Paulinho Da Costa (percussão), Johnny Mandel (cordas), Jerry Hey e The Seawind Horns (instrumentos de sopro)

SINGLES: “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, “Rock With You”, “She’s Out of My Life”, “Girlfriend”


 

 
ESTIMATIVA DE CÓPIAS VENDIDAS: 25 milhões

Off The Wall fez pelo R&B o que o Pet Sounds dos Beach Boys fez pelo rock. Foi um ponto de reviravolta, uma revelação sonora e destilação de uma era e estado de espírito. O crítico Rob Sheffiel o chamou de o álbum que “inventou o pop moderno como nós o conhecemos”.



 

Na verdade, enquanto ele não explora a vasta gama de temas de Jackson, que viria em álbuns subsequentes, Off The Wall captura perfeitamente a expiração e a energia, os desejos reprimidos e dolorosas alegrias dos momentos da juventude. Isso representa Michael Jackson e, por extensão, os ouvintes dele, quando o mundo parecia maduro de possibilidades. Muitos críticos e ouvintes, da mesma forma, agora, consideram-no a pura expressão do gênio de Jackson.



 

Devido ao sísmico impacto cultural de Thriller, é sempre esquecido que, em 1981, Off The Wall foi o álbum mais vendido de todos os tempos por um artista negro.



Seria um registro sem precedentes para a Billboard Top Ten hits (dois dos quais chegaram a 1º posição). Talvez o mais importante, ele foi o álbum que, efetivamente, marcou a transição de Michael Jackson de uma estrela infantil para um maduro artista solo.




Antes de ele ser lançado, Jackson ainda era mais bem conhecido como o precoce prodígio de dez anos de idade, do antigo Jackson 5. Depois de Off The Wall, não havia enganos: Michael Jackson, o então “Príncipe do Pop”, tinha chegado. Ele tinha vinte anos de idade.




 


 

Off The Wall foi lançado no verão de 1979. Era um tempo de indisposição política, mas de cultural vibração, na América. Enquanto o presidente Jimmy Carter enfrentava uma crise de energia, uma recessão e a crise do refém do Irã, muitos americanos se voltavam para a música e para a dança para escapar. Disco era, em essência, a menos espiritualmente inclinada psicodélica dos últimos anos da década de setenta e as boates eram as novas comunidades hippies, o espaço onde música, drogas e sexo convergiam. Jackson, que celebrava seu vigésimo primeiro aniversário no estúdio 54, de várias formas, “parecia inteiramente em sintonia com o tempo, tornando-se maior de idade no epicentro da cena da vida noturna, varrendo a cultura e criando um som inteligente e sexy para ela.” Mas ele, também, de alguma forma, destacou-se de tudo isso, “um, estranhamente, inocente menino na era do Boggie Nights’ flashes, intocado por sexo ou drogas, apesar de toda a maníaca indulgência em torno dele, uma Testemunha de Jeová perdida na cúpula do prazer”.


“Pessoas vem ao (Estúdio 54) como personagens”, ele observou, “e é como ir a um jogo”.


Na verdade, enquanto Jackson se abstinha dos prazeres hedonistas da vida de boate, ele também era fascinado pela teatralidade dela. “As pessoas vêm ao (Estúdio 54) como personagens”, ele observou, “e é como ir a um jogo. Eu penso que essa é a razão psicológica para a loucura disco: você se torna aquele sonho que você quer ser. Você simplesmente fica louco com as luzes e a música e você está em outro mundo”.


Esse “escapismo”, como Jackson sempre se referia a isso, tornou-se uma fascinação ao longo da vida, pois fez a ideia da transformação, de se tornar algo diferente e novo. Não todos, porém, estavam tão intrigados com o efeito transformativo do disco. O ano de 1979 viu uma séria reviravolta contra a estética dance-driven, como demonstrado no movimento “Disco Sucks” e no infame “Disco Demolition Night”, no Comiskey Park, em Chicago, onde uma enorme pilha de álbuns de disco foi queimada no jardim central, causando um motim, a partir de uma multidão estridente de noventa mil pessoas. 


Off The Wall, interessantemente, foi lançado em menos de um mês após esse evento.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qua 19 Jun 2013 - 12:33

Além das demonstraçõs públicas, críticos musicais eram, naquela época, quase universalmente céticos sobre o disco, favorecendo, em vez disso, a “autenticidade” e “seriedade” do rock. Enquanto o rock empurrava os limites contra a cultura dominante, críticos argumentavam, disco era escorregadio, produto artificial destinado à audiência de massa consumidora. Embora essa declaração contivesse alguma verdade – disco, como qualquer gênero popular de música, poderia ser e era, às vezes, insipido e comercialmente calculado –, também revelava alguns vícios óbvios. Em 1979, depois de tudo, o estereotipado e comercial rock estava tão prevalente como o disco. Pelo menos parte da antipatia parecia resultar de uma longa data.



Algumas vezes da subconsciente estigmatização da música “negra” que tinha previamente se manifestado na segregação do R&B, soul e funk do rock.




 

Disco evoluiu de estilo musical predominantemente negro, transformando em funk, com um acompanhamento mais luxuoso de cordas, buzinas, instrumentos de sopro, guitarras elétricas e sintetizadores, e batidas flor-on-the-floor. Abrangendo  som dele, mensagem e audiência, disco, no seu melhor, encorajava a diversidade, aceitação e experimentação, tornando-a a estética musical de escolha de muitas minorias, incluindo não apenas negros, mas também gays, hispânicos e mulheres, na metade para o fim dos anos setenta. “Disco era, diametralmente, oposta à postura machista do rock branco”, observa o crítico cultural Daryl Easlea, “e desde que não havia bandas em disco, turnês ou camisetas souvenirs eram difíceis de quantificar. Poucos jornalistas escreveram apaixonadamente sobre isso, mas na maior parte, era ignorado ou tratado com desdém”. Na verdade, descrições irônicas sobre a efeminação, a teatralidade, a extravagância emocional e até mesmo a habilidade do disco fazer as pessoas sentirem vontade de dançar não eram meramente observações neutras.
Como Craig Werner escreveu, “Os ataques ao disco deu voz respeitável aos mais feios tipos de racismos desconhecidos, sexismo e homofobia.” (Interessantemente, no início da carreira adulta de Jackson, esses mesmos ataques, particularmente pela percepção de efeminação, androgenia e homossexualidade, eram, constantemente, lançados a ele da mesma forma.).



Disco, é claro, não era a única presença na música. Os últimos anos da década de setenta também deram origem às Músicas de Stevie Wonder em The Key of Life, e The Wall, dePink Floyd; Hotel California, do Eagles, Rumours, de Fleetwood; Mac e News of the World, do Queen. Disco, prog rock, glam rock, soft rock, punk e pop todos competiam em uma envolvente e elétrica cena musical.
O mundo ainda estava sentindo a reverberação do álbum blockbuster, de 1977, o Sturday Nitght Fever, e artistas como Bee Gees, Donna Summer, Chic e Sledgehammer Sisters, dominavam os charts.



Nesse contexto, o disco-pop visceral de Off The Wall parecia muito um reflexo do gosto do momento. Mas parte do que distingue o álbum, antes e agora, decorre do dinamismo dele, a sustentada tensão que ele bate entre opostos. Diferentemente de muitos discos anteriores dos anos setenta, Off The Wall não é meramente uma celebração de excessos. É um álbum tanto de inocência quanto de experiência, de timidez e deslumbramento, tanto quanto de indulgência. Era muito sensual, mas sutil, sempre eufemisticamente. Nunca fala de política, mas é implicitamente político, nunca fala de raça, mas quebrou inúmeras barreiras raciais.
Não se refere a nada especificamente sobre o contexto histórico, mas claramente significa, para muitos dos ouvintes, um momento específico no tempo. Ele é disco, mas também é jazz, pop, funk, soul, R&B e Brodway. Off The Wall, portanto, é um álbum difícil de classificar. A indefinição dele, porém, é o que o torna tão convincente.



O trabalho com Off The Wall começou, oficialmente, em dezembro de 1978, no estúdio de gravação Allen Zentz, em Hollywood.
O último ano tinha sido um momento de dramática mudança e evolução para Michael Jackson. Depois de anos se sentindo pressionado pelas expectativas da família, ele, finalmente, começou a cortar vínculos com o dominador pai dele.
Off The Wall seria, também, o primeiro álbum sem o envolvimento dos irmãos dele, a Motown, ou o dueto da Filadélfia, Kenny Gamble e Leon Huff.
Além disso, ele acabara de desempenhar o papel de Espantalho no filme The Wiz, uma adaptação urbana do sucesso da Brodway, ao lado do ídolo dele, Diana Ross.
Exceto por turnês, esta era a primeira vez que ele vivia fora de casa. Naquela nova situação, observou o produtor Bob Cohen, ele era “como uma criancinha em um playground de Mahatma”. Enquanto The Wiz, definitivamente, desapontou nas bilheterias, Jackson era, geralmente, visto como um dos poucos pontos luminosos, recebendo elogios pelo “genuíno talento como ator” e profissionalismo.



O mais importante foi que The Wiz conectou Jackson e o legendário produtor Quincy Jones, que estava escrevendo a trilha sonora para o filme. Jones carregava consigo uma fortuna em experiência, conhecimento e habilidades.
Nascido no sul de Chicago, ele foi uma talentosa e ambiciosa criança, já arranjando e escrevendo músicas na adolescência. Quando ele conheceu Jackson, em 1977, o currículo dele incluía viajar pelo mundo, muitas vezes, com músicos parceiros do jazz, receber uma educação clássica em Paris, compor trilhas de filmes premiadas e trabalhar com lendas como Frank Sinatra, Sammy Davis Jr., Dinah Washington, Nat King Cole, Ray Charles e Count Basie.


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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Dom 23 Jun 2013 - 15:21

Gente, eu preciso saber se estão gostando desse livro para continuar postando, pois não faz sentido algum ficar postando para ninguem...

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Ter 2 Jul 2013 - 14:51

Assim como Berry Gordy, Jones era um pioneiro para os afro-americanos na indústria da música e, como Jackson, ele era um compulsivo perfeccionista.

Dada a pedigree, é notável o quão rápido Jones ficou impressionado pelo, então, adolescente de dezoito anos, Michael Jackson. O papel de Jackson em The Wiz era o primeiro dele como ator. Quando o filme começou, ele nem mesmo tinha uma canção própria. “A maioria das pessoas envolvida com o filme não tinha ideia de quem Michael Jackson era”, Jones se lembra.

Contudo, quando Jones viu Jackson em ação, a preparação dele, os instintos dele, a ambição dele, ele se convenceu de que o jovem artista era um talento único em uma geração, comparando-o a Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra. “Michael foi a melhor coisa que veio deThe Wiz para mim”, ele escreveu. “Quando nós ensaiávamos as cenas musicais… eu ficava cada vez mais impressionado. Ele estava sempre superpreparado. Ele chegava às 5 da manhã, para a maquiagem de espantalho dele e tinha cada detalhe do que ele precisava fazer memorizado para cada cena. Ele também sabia todos os passos de dança, todas as palavras do dialogo e todas as letras de todas as músicas de todos, na produção inteira.” Além da preparação, Jones viu em Jackson aquele raro fator “x”. “(Michael Jackson) tinha o conhecimento de um homem de sessenta anos e o entusiasmo de uma criança”, Jones observou. “Ele era um menino genuinamente tímido e belo, que escondia a inteligência dele com pequenos sorrisos e risinhos. Mas sob o exterior tímido, estava um artista com um incandescente desejo por perfeição e uma definitiva ambição de ser o maior artista do mundo.”

Enquanto filmava The Wiz, Michael Jackson, igualmente, desenvolveu uma admiração por Quincy Jones e se convenceu de que ele seria perfeito para produzir o primeiro álbum solo dele. “Quincy faz jazz, ele faz trilhas de filme, rock ‘n’ roll, funk, pop, ele é multicolorido e esse é o tipo de pessoa com quem eu gosto de trabalhar”, Jackson explicou em uma entrevista em 1980. “(Off The Wall) foi a primeira vez que eu escrevi e produzi completamente minhas músicas e eu estava procurando por alguém que me desse essa liberdade, além de alguém que é ilimitado musicalmente.”

Assim, Jones pôde não apenas ver o enorme potencial de Jackson, mas isso também o encorajou a fechar um acordo com o cantor. Quando a Epic Records rejeitou a ideia de uma colaboração Jackson-Jones, porque Jones era “muito jazzy” e não podia produzir sólidos hits de dança, Jackson não recuou. “Ele marchou para a Epic com (os empresários dele)”, Quincy recorda, “e disse: ‘Eu não me importo com o que vocês pensam, Quincy está fazendo meu álbum. ’” Jackson venceu e, eventualmente, o mesmo aconteceu com a Epic Records.

Além de atuar como produtor, Quincy Jones ajudou Jackson a reunir um elenco de apoio formado por estrelas, incluindo o prestigiado engenheiro de gravação, Bruce Swedien, de quem Jones era amigo íntimo, desde os anos cinquenta. Swedien permaneceria com Jackson por toda a carreira solo dele, proporcionando uma amizade, assim como “um dos melhores pares de orelhas” no negócio. Completando com quem sempre se referiam como a “Grande Árvore”, o britânico Rod Temperton, um membro de uma banda funk-disco internacional, a Heatwave.

Temperton era um talentoso músico a quem Jones descreveu como “um dos melhores compositores que já viveu, com um talento melódico e polifônico e instinto de um compositor clássico”. Devido à reputação dele como um hip e funky membro do grupo de disco Heatwave, muitos dos músicos que trabalharam em Off The Wall ficaram surpresos em saber que ele era um “pequeno cara branco”, de North Lincolnshire, Inglaterra.
Mas musicalmente, Temperton, naturalmente, se ajustava com Jones, Swedien, Jackson e o resto do time. “Rod era uma alma gêmea em muitos aspectos”, Jackson disse. “Como eu, ele se sentia mais em casa cantando e escrevendo sobre a vida noturna que realmente saindo e vivendo isso.”

Além de a Grande Árvore, Jones e Jackson aproveitaram o talento como compositor de algun dos maiores nomes na indústria musical, incluindo Paul McCartney, Stevie Wonder, Carole Bayer Sager, Tom Bahler e David Foster. Eles também trouxeram alguns músicos excepcionais: “o virtuoso tecladista” Greg Phillinganes, um amigo de Jackson, que trabalhou intimamente com Michael nas faixas rítmicas, o “monstro trompetista e arranjador”, Jerry Hey, e o talentoso Seawind Horns; o vencedor do Grammy Award, o compositor e arranjador Johnny Mandel, nas cordas; Louis Johnson (dos Brothers Johnson), no contrabaixo; David Jones e Melvin, “Wah Wah Watson”, Fera na guitarra; John Robson e Jeff Porcaro (do Toto) nas baterias e o brasileiro Paulinho Da Costa na percussão. Quincy Jones, afetuosamente, se referia a esta extraordinária coleção de talentos como “Time-A”.

Em retrospecto, coordenar esse diverso grupo de tal forma perfeita foi um extraordinário ato de colaboração artística. “Ele foi o álbum mais suave em que eu já estive envolvido”, Jackson disse em uma entrevista em 1979. “Havia muito amor, foi incrível. Todos trabalharam juntos muito facilmente.” Era uma atmosfera de receptividade e confiança que Quincy ajudou a promover e que Jackson aprenderia e executaria como produtor executivo em projetos posteriores. “Nós estávamos apenas pegando muitas chances”, recorda Jones. “Sentíamo-nos livres.”
Essa liberdade, espontaneidade e espírito de colaboração foram incorporados às faixas. “Em um par de músicas a banda estava lá enquanto eu cantava e nós fomos capazes de sentir um ao outro”, Jackson disse em uma entrevista em 1979. “E isso ficou marcado no álbum. Eu nunca tinha feito assim antes, jamais! Isso deu tal espontâneo sentimento e me lembrou de quando o R&B primeiro começou no Sul e todos os negros simplesmente se reuniam em um barraco e faziam uma Jam. Isso é o que falta hoje. Tudo é muito comercial e mecânico. Muitos músicos hoje estão compenetrados no que eles fazem para eles mesmos e não um com o outro.” Como artista, Jackson sempre acreditou nessa energia comum como parte integrante da criatividade.
O primeiro foco de Quincy Jones, entretanto, foi em Michael Jackson. “Nós tentamos todos os tipos de coisas que eu tinha aprendido ao longo dos anos para ajudá-lo com o desenvolvimento artístico dele”. Jones recorda. “Escutando música para relaxar, apenas um ‘terceiro menor’ para dar a ele flexibilidade e uma variedade mais madura nos registros altos e baixos e mais de que algumas mudanças de tempo. Eu também tentei dirigi-lo com músicas que tinham mais profundidade. Algumas delas sobre relacionamentos. Seth Riggs, um treinador de voz, deu a ele vigorosos exercícios de aquecimento par expandir as faixas superiores e inferiores dele por, pelo menos, uma quarta, o que eu, desesperadamente, precisava para que os vocais dramáticos fluíssem.”


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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 4 Jul 2013 - 9:23

Estou adorando esse livro, ele conta a historia de cada album, musica por musica.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Ter 16 Jul 2013 - 14:44

Jackson respondeu ao desafio, impressionando os colegas mais experientes dele, não apenas com o talento, mas com a preparação dele. Jones se lembra dele vindo para as sessões no estúdio com as partes dele completamente memorizadas, letras, harmonias, tempo. “Ele podia vir para uma sessão e fazer duas vozes guias e três partes de vozes de fundo em um dia”, Jones disse em uma entrevista em 1982. “O tempo de um estúdio é muito caro e é por isso que alguém como Michael Jackson é o artista que o produtor sonha. Ele anda preparado. Ele realizava muito em uma única sessão, isso me impressionava.”Quincy e Michael vasculharam através de dúzias de músicas potenciais para Off The Wall, algumas delas escritas por Jackson e algumas introduzidas por Jones, Temperton e outros.

Eles queriam apenas o mix certo de sons e estilos e tentaram colocar faixas que destacariam as habilidades diversas de Jackson. Enquanto fazia o álbum, Jackson também desenvolveu uma saudável competição com o colega compositor Rod Temperton. “(Um dia)”, Jackson recorda, “ele veio ao estúdio com este super (ritmo), ‘doop, dakka dakka doop, dakka dakka dakka doop’, essa completa melodia e refrão, ‘Rock With You’, eu fui, ‘Wow! Então, quando eu escutei isso eu disse: ‘Okay, eu realmente tenho que trabalhar agora’. Assim, toda vez que Rod apresentasse alguma coisa, eu apresentaria alguma coisa, e nós tínhamos uma pequena forma de competição amigável”. Jackson comparou isso à forma como Walt Disney levou diferentes artistas a competir para animar um filme. “Quem tivesse o efeito mais estilizado que Walt Disney gostasse, ele escolheria… era como algo amigável, mas era uma competição… Portanto, sempre que Rod trazia algo, eu traria algo… Nós criamos esta coisa maravilhosa.” Temperton e Jackson não apenas terminariam compondo a maioria das músicas de Off The Wall, mas de Thriller também.

Eventualmente, Jackson e Jones diminuíram a longa lista de potenciais faixas musicais a dez músicas: Três (“Don’t Stop Till You Get Enough”, “Workin’ Day and Nigth” e “Get on the Floor”) eram composições de Jackson. Três outras (“Rock With You”, “Off the Wall” e “Burn the Disco Out”) eram contruibuições de Rod Temperton. Finalmente, “Girfriend” veio de Paul McCartney, “She’s Out of My Life”, veio de Tom Bahler (que trabalhou com Jackson em The Wiz), Carole Bayer Sager trouxe “It’s the Falling In Love” e Stevie Wonder contribuiu com “I Can’t Help It”
Enquanto os retoques finais estavam sendo dados nas músicas no estúdio Westlake e Cherokee, as atenções estavam voltadas para a capa do álbum e para a imagem do novo artista. Para muitas pessoas, apesar do recente sucesso de Destiny, Michael Jackson continuava estigmatizado como um angelical artista infantil dos Jackson 5. “Até agora”, escreveu Stephen Holden da Rolling Stone, em 1979, “(Jackson tem), compreensivamente, se agarrado às reminiscências da original imagem dele da Motown, como Peter Pan, enquanto, cuidadosamente, considera o papel de jovem príncipe”.

Um dos principais objetivos de Off The Wall, de uma perspectiva de markenting, portanto, era dar este simbólico passo à frente e introduzir o Michael Jackson adulto, enquanto maduro, educado, sofisticado e sexual. Antes até mesmo de tocar o disco, a nova imagem dele estava exposta na capa do álbum, com Jackson apresentado como o “Frank Sinatra negro”, vestindo um estiloso (para o momento) smoking e cintilando o sorriso megawatt dele. Parecia “uma foto tirada na formatura ou em um casamento, ou em qualquer outro ritual de passagem”, observou Anthony DeCurtis, da Rolling Stones.

O empresário de Jackson, naquele tempo, Ron Weisner, alega créditos pelo plano de jogo desta imagem, com exceção das meias brancas ,que, não surpreende, foram ideia de Jackson. (Como um artista, Jackson tem um olho aguçado para imagens icônicas; ele também adora o contraste de cores, que ressalta a percepção do movimento na dança. Posteriores capas de Off The Wall mostrariam apenas a metade inferior de Jackson, destacando as meias brilhantes e os moccosins).

Tanto na embalagem quanto no conteúdo, o álbum serviu como a metamorfose de Jackson para uma pessoa nova, jovem, bem sucedida, adulta.
Off The Wall foi completado em apenas seis meses. “A abordagem de Michael é muito dramática”, lembra Quincy Jones. “Muito concisa.
Quando ele concebe uma ideia ele vai todo o caminho com ela. Ele tem a presença de espírito para sentir alguma coisa, concebê-la e, então, trazê-la à vida. É um longo caminho da ideia à execução.


Todo mundo quer ir ao céu e ninguém quer morrer. Isso é energia, homem. Você precisa ser emocionalmente preparado para colocar tanta energia dentro disso quanto é necessário para fazer direito.” Depois de todo o trabalho e energia investidos no álbum, tanto Jones quanto Jackson estavam, justificadamente, orgulhosos do produto final. Off The Wall era um álbum firme, rico, multifacetado, em todas as faixas. “(Quincy e eu) dividimos a mesma filosofia sobre fazer álbuns”, Jackson escreveu mais tarde. “Nós não acreditamos em lados-Bs ou músicas de álbuns. Todas as músicas devem ser capazes de se sustentar como singlese nós sempre buscamos isso.”

A abordagem Jackson-Jones também significou uma diversa, mas equilibrada, linha de canções. Eles queriam que contivesse algo para todos, mas que ainda soasse como pertencentes a um conjunto.
O álbum foi lançado em agosto de 1979, para um público curioso. Primeiro single, “Don’t Stop Till You Get Enough”, já tinha alcançado a 1º posição no chart da Billboard, em julho, e estava sendo tocado nas boates por todo o país. Contudo, até o álbum ser escutado integralmente, as pessoas não começaram a perceber que algo especial tinha sido formado na parceria de Michael Jackson e Quincy Jones. “Fãs e parceiros da indústria da música, igualmente, ficaram de boca aberta quando o (o álbum) foi emitido para o público”, escreveu o biografo J. Randy Taraborrelli.

Na verdade, é difícil imaginar completamente, agora, a experiência das pessoas ao tocar o álbum ou fita cassete, pela primeira vez, e escutar o transbordante ritmo, a textura colorida e o êxtase desenfreado dele.

Em adição aos dois hits em 1º posição do álbum, (“Don’t Stop Till You Get Enough” e “Rock With You”), outros dois (“Off The Wall” e “She’s Out of My Life”) chegaram ao TopTen em 1980. Enquanto isso, o álbum permaneceu no Top 20 por uma marca incrível de quarenta e oito semanas. Em 1982, ele já tinha chegado a, aproximadamente, sete milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos sozinho, fazendo dele o álbum de um artista negro mais vendido de todos os tempos.
Ele simbolizava um importante marco cultural, com certeza.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 1 Ago 2013 - 10:12

Para muitos ouvintes e críticos, porém, a música, por si mesma, era revolucionária. Off The Wall era uma nova geração de álbuns, uma síntese de gêneros e músicas única. Na revisão do álbum, em 1979, a Rolling Stone o chamou de “uma amostra original, sofisticada de R&B-pop”; All Music descreveu-o como “uma intoxicante mistura de fortes melodias, ganchos rítmicos e sua construção indelével… que é, absolutamente, emocionante em sua alegria absoluta”; Blender afirmou “(ele) olhou para além do funk, para o futuro da dance music e para além das baladas soul, para o futuro das canções tocantes, na verdade, para além do R&B, para o pop sem preconceitos”.

Enquanto não manifestamente um portador de mensagens, os temas implícitos dele eram tão importantes quanto. Off The Wall era, definitivamente, uma celebração de diferenças e excitamento, de emoção e imediatismo, de libertação e transformação, era uma escapatória temporária do “mundo real”, da monotonia e conformidade da alma mortal, um convite para se sentir vivo, jovem, único e livre. Se o famoso “muro” de Pink Floyd foi um símbolo da isolação do narrador, o de Michael Jackson era uma barreira que deveria ser saltada, mesmo que a estimulante liberdade fosse transitória. Como Jackson canta na faixa título, “Deixe a loucura na música entrar em você… A vida não é tão ruim assim/ Se você vive loucamente.” Letras como essas não apenas ressonavam com Jackson em um nível pessoal, mas também falavam para milhões de outros, no final dos anos setenta, que se reuniam na pista de dança e nas boates, experimentando abertamente com identidade e sexualidade.

Talvez a maior realização de Off The Wall, porém, esteja na ousadia sonora dele. “(Ele) é um álbum dançante lançado no auge da febre disco, mas não inclui nenhum dos gêneros clichés”, observa o crítico musical Anthony De Curtis, “Os ritmos são suaves, mas propulsivos, carregados, mas graciosamente sincopados; as melodias são claras como ar, mas imediatas e inesquecíveis.” Barney Hoskyns da NME o descreveu como “o dance music mais intrincadamente temporizado, completamente texturizado, brilhantemente sensual, já feito.”

As camadas de instrumento complementam, mas nunca se sobrepõem aos alternativamente zombeteiros, sensuais e sublimes vocais de Jackson. “Jackson trouxe para Off The Wall faixas vocais que nenhum cantor pop, antes ou depois, poderia ter imaginado”, escreveu o crítico musical Jimmy Gutterman. “O tenor dele voa por todo o lugar (mesmo semi-rapping um pouco em “Get On The Floor”), mas os momentos vocais mais expressivos, aqui, são sem palavras: choros, gritos, exultações, gemidos, que falam muito.”

Considerando o enorme sucesso comercial do álbum e a aclamação da crítica, após o lançamento, não é de se admirar que Jackson tenha se sentido tão devastado quando o álbum foi esnobado no Grammy Awards, em 1980, (recebendo apenas uma indicação para o Best Male R&B Vocal Perfomance). “Eu me lembro de onde eu estava quando eu recebi a notícia”, Jackson recorda. “Eu me senti ignorado pelos meus colegas e isso doeu.” Membros da família se lembram dele chorando inconsolavelmente. “Jackson sentiu que a indústria da música estava tentando mantê-lo no lugar dele, como um artista de único estilo”, observou a Rolling Stone, “um cantor negro que faz dance music”. Jackson, porém, recusou-se a aceitar esse fato. “Aquela experiência acendeu um fogo na minha alma”, ele mais tarde escreveu. “Tudo sobre o que eu podia pensar era o próximo álbum e o que eu faria com ele. Eu queria que fosse realmente incrível.”

Apesar de ter sido esnobado pelo Grammy, Off The Wall venceu o teste de tempo. Para muitos daqueles que se tornaram maiores de idade nos anos setenta, ele é definido como o álbum da jovem vida deles. “Se você me pedir para escolher entre Off The Wall e todo o catálogo anterior de The Sex Pistols e The Beatles”, escreveu o crítico musical Mark Fisher, “não haveria competição. Eu respeito The Beatles e os Pistles, mas eles já tinham sido calcificados nos arquivos das revistas cinematográficas, antes mesmo que eu desse ouvidos a eles; enquanto Off The Wall continua vívido, irresistível, suntuoso, repleto de detalhes tecnicolor”.

Na verdade, mais de trinta anos, desde que ele foi lançado, ouvintes e críticos, igualmente, são praticamente unânimes em elogiá-lo. Em uma pesquisa da VH1 com mais de setecentos músicos, compositores, disc jockeys, programadores de rádio e críticos, em 2003, Off The Wall foi classificado como trigésimo-sexto melhor álbum de todos os tempos. A Rolling Stone o classificou como 68 na lista dos 500 Greates Albuns of All Time.

Em 1999, a revista Q, do Reino Unido, o chamou de “um dos melhores álbuns já feitos… (com) uma das melhores melodias da história do pop”.
Off The Wall também inspiraria várias gerações de artistas que viriam, incluindo Prince, Janet Jackson, Usher, Justin Timberlake, Alicia Keys, Jay-Z, Kanye West, Ne-Yo, e Beyoncé, além de centenas de outros, servindo como o que o crítico musical John Lewis tem chamado de “Pedra Rosa para toda a subsequente R&B”.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Sex 2 Ago 2013 - 10:07

Cap 1 -Off The Wall -Don’t Stop ‘Till You Get Enough, Rock With You

1. DON’T STOP ‘TIL YOU GET ENOUGH
(Escrita e composta por Michael Jackson;
produzida por Quincy Jones;
coproduzida por Michael Jackson;
arranjo de instrumentos de sopr por Jerry Hey;
arranjo de ritmos por Greg Phillinganes e Michael Jackson.
Arranjos de vocais e percussão por Michael Jackson.
Arranjo de cordas por: Bem Wright.
Vocais guias e backgrounds: Michael Jackson;
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: John Robson;
Piano Elétrico: Greg Philliganes.
Guitarra: David Williams e Marlon Henderson.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns.
Percussão: Michael Jackson, Randy Jackson e Paulinho da Costa. Concert master: Gerald Vinci)

Embora Michael Jackson tenha escrito músicas antes, “Don’t stop ‘Til You Get Enough” foi a primeira composição oficial como artista solo. Também foi o primeiro single de Off the Wall lançado, o primeiro a ganhar Grammy Awards e a primeira música dele a chegar ao 1º lugar nos hits, nos Estados Unidos e em todo o mundo, desde os dias do Jackson 5. Ela é, em outras palavras, a música inovadora de Jackson, no álbum inovador dele, e a composição própria dessa faixa simboliza essa transformação.

Essa faixa começa com uma introdução falada, um tímido e recatado Jackson, mal falando acima de um sussurro. “Você sabe, eu estava me perguntando...” A aparente inocência e incerteza dele, paradoxalmente, transbordam com sugestão, como se algo inesperado estivesse abaixo da superfície (“a força”).

A tensão é construída em um astuto baixo, antes de Jackson explodir em um grito de desinibida confiança, energia e alegria. A música, então, explode em um caleidoscópio de sons: redemoinho de cordas, uma explosão de trompetes, um riff de guitarra funk e uma batida pulsante de sintetizador.
O falsete de Jackson se eleva acima de tudo isso em uma eufórica fronteira com o êxtase. “A introdução é dez segundos de perfeita tensão”, escreveu o critico musical Gerri Hirshey. O critico musical Paul Lester chamou isso de “possivelmente, a mais emocionante introdução em um single pop”.

Rolando por mais de seis minutos, a energia da música é inesgotável, fazendo dela uma dance muscic permanentemente clássica. “Don’t Stop praticamente leva você pela mão até a pista de dança”, escreveu Mark Fisher. “O turbilhão do universo de cordas arrasta você, a delinquescência do deleite (‘eu estou derretendo’) do arrebatado falsete de Michael, gentilmente, desfaz qualquer armadura resistente de caráter. É uma adorável música para dançar por si só, assim como ‘Rock With You’, a qual, da mesma forma, parece o universo inteiro, em um disco de globo espelhado.”

Sonoramente, comparado com as mais qualificadas músicas de dance club de hoje, “Don’t Stop” soa exótica, o rico e diverso arranjo de instrumentos e sons, de saxofones e flautas dela, as sinetas, o que Jackson descreve como “guitarras cortadas como kalimbas, os pianos de polegar africanos”, fazem uma fascinante introdução para as intuitivas proezas musicais de um jovem de vinte e um anos de idade.

A demo original de “Don’t Stop” foi gravada no estúdio twenty-four-track da família Jackson com a ajuda do irmão, Randy, e a irmã, Janet. Michael cantou os overdubs “como um tipo de grupo” e escreveu sozinho, uma grande parte solo, para combinar com a música que ele estava “escutando na cabeça (dele)”, assim, permitindo que “o arranjo fosse assumido, a partir do canto”. “Michael é raramente discutido como um arranjador, desde que nossa visão dele está amarrada à pessoa dele como performer ao vivo”, observa o critico musical Nelson George. “Mas o argumento para a grandeza dele no estúdio de gravação começa com os arranjos dele para ‘Don’t Stop ‘Til You Get Enough’. As camadas de percussão e pilhas de backing vocals, ambos artisticamente coreografados… ainda agita festas no século 21.”

A música também faz uma declaração com as letras dela. O título sensual, sexualmente sugestivo, surpreende alguns ouvintes, acostumados às expressões mais inocentes de amor demonstradas na maior parte das músicas dos Jackson 5.
A mãe de Jackson, na verdade, uma devota Testemunha de Jeová, expressou choque pelo título e avisou ao filho dela que isso seria facilmente mal interpretado.

Jackson, porém, gostava da provocativa ambiguidade da música.
Ele disse a ela para não se preocupar, pois a música “significaria qualquer coisa que as pessoas quisessem que significasse”.

A experiência pessoal de Jackson com intimidade sexual ou mesmo relacionamentos, naquele tempo, era um mistério para a maioria. Quando ele não estava trabalhando ele estava, normalmente, sozinho ou com a família. Por outro lado, ele tinha experimentado mais que a maioria dos jovens homens da idade dele.

Antes mesmo que ele tivesse chegado à puberdade, ele estava performando com os irmãos dele em boates noturnas com strippers e travestis e lidando com a constante presença de groupies. Além disso, ele tinha recentemente retornado de Nova Iorque, (onde esteve trabalhando no filme The Wiz) e testemunhou a cena noturna decadente da cidade, incluindo o infame Estúdio 54.

A exibição de sexo, drogas e sentimentos teatrais em cortante contraste com as lições de moralidade e puritanismo que a mãe e a religião dele (Testemunha de Jeová) lhe ensinavam, mas Jackson observava isso como uma aguçada, talvez destacada, curiosidade.

Jackson constantemente lutava para conciliar esses mundos díspares, frequentemente se sentindo isolado e confuso sobre quem e o que ele deveria ser.
Desde a tenra idade, porém, a música se tornou a escapatória dele. Ela permitia que ele, temporariamente, suplantasse as inibições, confusões, medos e culpas e encontrasse a confiança, intimidade, expressão e conexão que ele carecia na vida real. Música era a droga dele, amor e religião, tudo embrulhado em um pacote.
Com esse contexto em mente, “Don’t Stop” é mais que uma cativante dance music. É uma maravilha sonora que é também uma das primeiras indicações da identidade complexa e envolvente de Jackson. Com aquele, agora, característico “Oooooh!” ele quebrou inúmeras barreiras, pessoal, cultural, artística, e ficou completamente possuído pela “força” da música.

O vídeo musical dessa música, o primeiro de Jackson como artista solo, mostrou o “novo” Michael Jackson em todo o esplendor e vitalidade dele. “(Ela) (o) captura da maneira como o mundo se apaixonou por ele”, escreveu a Rolling Stone. “O garoto na porta vizinha vivendo o mais glamoroso sonho disco dele, usando um smoking e ostentando as coisas dele. Você não consegue deixar de ser arrastado pela alegria e exuberância dele.”

Um #1 hit, em 1979, “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” continua sendo uma das dance musics de mais resistência de Jackson hoje.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 8 Ago 2013 - 9:15

2. ROCK WITH YOU

(Escrita e composta por Rod Temperton,
produzida por Quincy Jones.
Vocais guias e backgrounds: Michael Jackson.
Instrumentos de sopro arranjados por Jerry Hey.
Arranjos dos ritmos e vocais por Rod Temperton.
Arranjos das cordas :por Bem Wright.
Baixo: Bobby Watson.
Bateria: John Robinson.
Guitarra: David Williams e Marlo Henderson.
Sintetizador: Greg Phillinganes e Michael Baddicker.
Piano elétrico: David “Hawk” Wolinski.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns.
Concerto máster: Gerald Vinci)



“Rock With You” é uma suave perfeição disco-pop-soul. Desde o rufar de tambores na abertura, Jackson se encaixa no groove vintage dela, cantando sem esforço, acima de um sutil background de percussão (incluindo palmas e estalar de dedos).

“O que é extraordinário em ‘Rock With You’ é o quão discreta ela é”, escreveu J. Edward Keyes da Rolling Stone, “uma seção de cordas muito suave, um quase imperceptível tremor de guitarra, Michael nem mesmo pronuncia a palavra ‘rock’ tão duramente, ele apenas desliza por ela, preferindo encantar com uma piscadela e um sorriso em vez de agressividade ou ferocidade”.

Composta por Rod Temperton, a música era diferente de tudo que Jackson tinha cantado com os irmãos deles, o que o agradava. “Ela era perfeita para eu cantar e me mover”, ele recorda. A sedutora faixa teve um efeito intoxicante em muitos ouvintes. “(Ela) realiza a maravilhosa façanha de, simultaneamente, dar uma lágrima ao olho e um embaralhamento para seus pés”, escreveu o critico musical Mark Fisher. “Jackson veio como um disco-Svengali, então, ele podia seduzir a garota ouvinte na qual a música nos transformavam todos: ‘Garota, feche os olhos/Deixe o ritmo entrar em você/ Não tente impedir’ e quem iria querer impedir isso? Escute a forma como os sintetizadores e as cordas sugerem as luzes das estrelas vistas por olhos de amantes deslumbrados.”

Na verdade, o espírito que ela evoca, com o desenvolvimento, melodia e textura dela, tornou-se o modelo para milhares de cantores R&B, de R. Kelly a Ne-Yo. No entanto, é a absolutamente única voz de Jackson que carrega a música. “A parte onde Michael canta, ‘Girrrrrrl, when you dance, there’s a magic that must be love’, é o momento mais puramente vívido que eu já escutei em uma música pop”, escreveu o crítico musical Steven Hyden.

Assim como “Don’t Stop” a letra de “Rock With You” era sensual e sugestiva. “Relaxe sua mente”, Jackson canta, “Fique tranquila e dance comigo.” Se “Don’t Stop” não tinha levado para casa a impressão, “Rock With You” confirmou isto: Michael Jackson tinha ultrapassado o material bubblegum de “ABC” e “Rockin’ Robin”. Mas diferentemente de muito material disco, o trabalho de Jackson tinha uma sutileza que não capturava apenas a paixão, mas também a inocência e a magia de estar apaixonado. “Há alguma gravação”, escreveu Mark Fisher, “que melhor captura a cósmica vertigem de se apaixonar que ‘Rock With You’? Essa precipitada sinestesia é apresentada nessa música, dança e amor se alimentam em um virtuoso ciclo reflexivo que, embora pareça miraculoso, inacreditável (‘Garota, quando você dança/há uma magia que deve ser amor’), ao mesmo tempo, parece que isso não poderia, possivelmente, terminar (“E quando o balanço está morto e acabado/você sabe que o amor sobrevive/e nós podemos agitar para sempre’). Essa foi a alma para vender a sua alma.”

O vídeo musical da canção, dirigido por Bruce Gowers, foi feito com um Jackson de vinte e um anos em um terno de lantejoulas, vintage, brilhante, dançando em meio à fumaça, luzes e lasers. Foi um grito distante dos curtas-metragens que viriam, mas a juventude atraente e a energia de Jackson continuam brilhando diante da tela.

Como “Don’t Stop”, “Rock With You” chegou ao 1º lugar no Hot 100 da Billboard, no início de 1980, tornando-se a primeira vez que Jackson cantava sucessivos números 1, desde os primeiro dias dele com o Jackson 5.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Qui 15 Ago 2013 - 16:54

Cap 1 – Off The Wall -Workin’ Day and Night,Get On The Floor


3. WORKIN’ DAY AND NIGHT
(Escrita e composta por Michael Jackson;
produzida por Quincy Jones,
coproduzida por Michael Jackson.
Arranjo rítmico por Greg Phillinganes e Michael Jackson.
Vocais e percussão arranjados por Michael Jackson.
Instrumentos de sopro arranjados por Jerry Hey.
Vocais guia e backgrounds por Michel Jackson.
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: John Robinson.
Guitarra: Davis Williams e Phill Upchurch.
Teclado: Greg Phillinganes.
Percusão: Paulinho da Costa, Michael Jackson e John Robinson.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns).

A segunda das três composições de Jackson em Off The Wall, “Workin’ Day and Night”, continuou o frenesi criado com “Don’t Stop ‘Til You Get Enouh”, enquanto, mais uma vez, mostrava a genialidade rítmica dele. Ele começa a música com a própria voz como percussão, (Jackson possui uma habilidade única para imitar instrumentos e sempre usa isso, tanto em demos, quanto na gravação final). A partir de uma beatboxing quase tribal, a música, gradualmente, constroi as camadas de sons: O teclado condiuzido por baixo de Greg Phillinganes; as lambidas da guitarra funk de David Williams e a ardente variedade de instrumentos de sopro de Jerry Hey. Contudo, o som é guiado pelo propulsivo ritmo de percussão, arranjado por Jackson e Paulinho Da Costa (brasileiro). Juntamente com “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, a música demonstra o inicial talento instintivo de Jackson para compor música, principalmente, faixas rítmicas principais.

O funk é inegável, combinando os gemidos e engasgadas ao estilo James Brown com as exclamações no estilo rítmico de percussão de Gana. “Ele nunca foi tão funk”, escreveu o crítico musical Bem Warner, “desenterre-o e ligue-o. Fala por si mesmo. Pegando fogo. Você não consegue ficar parado. Eu tenho que ter isso”.

O tema da música também é iluminativo. Não há dúvida de que foi inspirado na própria vida dele, trabalhando incessantemente, desde criança, Jackson canta sobre simplesmente estar carregado, e querer um descanso. É a versão dele da “A Hard Day’s Night” dos Beatles, uma súplica divertida, que se tornou a catarse dele. “Massageie meus ombros”, ele canta, “Está doente, faça melhorar/ Quando isso acabar, amar você será tão bom”. Assim como a maioria das faixas escritas de Jackson sobre relacionamento, porém, a música não é tão direta como se supõe inicialmente. As poucas estrofes finais introduzem a ansiedade do cantor sobre infidelidade (“Você deve estar vendo/Outros rapazes além de mim”).

Falando da perspectiva de um marido, ele se preocupa que uma vida de trabalho constante não seja apenas frustrante (em um verso ele canta sobre estar cansado de “pensar sobre o que minha vida deveria ser”), mas prejudicando o casamento dele (algo que Jackson não tinha experimentado pessoalmente, mas era familiarizado, por observar os casamentos conturbados dos pais e dos irmãos dele). “Você diz que trabalhar é o que um homem deve fazer”, Jackson canta, “Mas eu digo que isso não é certo, se eu não posso dar doce amor a você”. Trabalhar pode ser o que um homem tem que fazer, mas a música, divertidamente, sugere um desejo de liberdade e real conexão humana, na verdade.
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4. GET ON THE FLOOR
(Escrita e composta por Michael Jackson e Louis Johnson;
produzida por Quincy Jones.
Intrumentos de sopro arranjados por Louis Johnson e Quincy Jones.
Arranjos de cordas por Bem Wright.
Arranjos vocálicos por Michael Jackson.
Vocais guia e backgrounds por Michael Jackson.
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: John Robinson; Clavinete: Greg Phillinganes.
Percussão: Pulinho da Costa.
Guitarra: Melvin “Wah Wah Watson” Ragin.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns.
Maestro: Gerlad Vinci)

Talvez como uma resposta parcial a “Workin’ Day and Nigth”, Jackson ofereceu “Get On The Floor”, uma música que celebra a alegre liberdade da música e da dança.
Uma versão mais antiga foi, originalmente, escrita por Louis Johnson, dos Brothers Johnson, para o álbum disco dele, Ligh Up The Night. Johnson, porém, por fim, decidiu refazer a música com Michael Jackson. O resultado foi uma extravagante excitação à dança. “Jackson se solta mais em um riff disco de contrabaixo”, escreveu o crítico musical David Abravanel, “fazendo uma contagiante faixa de dança enérgica que, de toda forma, pulsa com tensão”.
Jackson se divertiu com a gravação da música. “Foi particularmente satisfatória”, ele escreveu mais tarde, “porque (o baixista) Louis Johnson me deu uma base suave o bastante para fazer os versos e me deixou voltar cada vez mais forte a cada refrão”. Na verdade, é possível que Jackson nunca tenha soado tão feliz, alegre e desinibido quanto nesta joia disco-funk.
Envolto em cordas efervescentes, forte contrabaixo e uma batida incessante, a voz de Jackson soa com contagiante energia. “Não muitas pessoas deram a ‘Get On The Floor’, algum crédito”, escreveu o crítico musical Andre Grindle. “Mas o fato é que ela é uma das mais consistentes faixas de um forte disco-funk de 1979: os ritmos, o baixo e, é claro, a respiração quente e pesada de Jackson no fundo é simplesmente suor cru, energia e movimento.”

Na verdade, depois de construir o clímax com o grito “Levante-se, você não continuará para baixo”, (um tipo de construção primitiva que Jackson, igualmente, usaria no vídeo para “Smooth Criminal”), Jackson começou a ad-libs, como se revelando, na recém-descoberta liberdade dele, alegremente mudando vozes, experimentando com inflexões, rindo e deixando os tradicionais “ooooohs” e “heees” dele. A música é, pura e simplesmente, uma celebração da vida, música e dança.

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Re: Man in the Music - by JOSEPH VOGEL

Mensagem por sissi em Seg 19 Ago 2013 - 13:26

Cap 1 – Off The Wall -Off The Wall,Girlfriend


5. OFF THE WALL
(Escrita e composta por Rod Temperton;
produzida por Quincy Jones.
Instrumentos de sopro arranjados por Jerry Hey.
Arranjos vocálicos e rítmicos por Rod Temperton.
Vocais guia e backgrounds: Michael Jackson.
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: John Robinson.
Guitarra: David Williams e Marlo Henderson.
Piano Elétrico e sintetizadores: Greg Phillinganes.
Programação dos sintetizadores por Michael Boddicke e George Duke.
Percussão: Paulinho da Costa.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns)

A segunda da três contribuições de Rod Temperton, “Off The Wall”, é o som tema perfeito para o álbum, celebrando a “estranheza” de viver com paixão e originalidade (Vivendo loucamente/ Esse é o único jeito), acima da “normalidade”, da conformidade e da rotina entorpecentes. Essa música é, assim, na verdade, uma indicação ao avesso da sociedade “correta”, questionando as expectativas dela, enquanto ostenta uma nova visão de satisfação. Temperton, intencionalmente, direcionou o teor da faixa a Jackson, acreditando que a celebração de ser diferente e “viver loucamente” iriam ressonar com o excêntrico cantor. “Eu sabia que ele gostava de Charlie Chaplin e eu pensei que ‘Off The Wall’ seria uma coisa legal para Michael”, Temperton se recorda. “Off The Wall” também prenunciou alguns dos temas de teatro de horror de “Thriller”, com sua abertura misteriosa e zumbis zombeteiros. Além de “The Place Hotel”, ela representou um dos primeiros exemplos da incursão de Jackson nos temas e sons góticos.

A música é um excelente exemplo do ritmo, tempo e versatilidade brilhantes de Jackson. Rod Temperton, propositalmente, escreveu essa música para destacar esses pontos. Escute a mudança de tempo, o arranjo complexo, as harmonias soberbas. “Em dado momento”, aponta Timothy Pernell, “você pode escutar o barítono, tenor e falsete de Michael se chocando durante a ponte (“Faça o que você tem vontade de fazer/Não há regras, é por sua conta”).

Entrementes, a música combina os temas das duas faixas anteriores: a alienação do “trabalho” moderno e a alegria de “escapar” através da música e da dança. “Quando o mundo está sobre seus ombros”, canta Jackson, “deixe o horário de expediente na prateleira”. As expectativas e obrigações sociais são lançadas de lado, em favor na espontaneidade, excitamento e paixão. “Deixe a loucura da música entrar em você”,Jackson canta. “A vida não é nada mal, se você vive loucamente”. Com este groove funk e os vibrantes vocais de Jackson, a faixa título é uma das mais destacadas do álbum.
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6. GIRLFRIEND

(Escrita e composta por Paul McCartney;
produzida por Quincy Jones.
Instrumentos de sopro arranjados por Jerry Hey.
Arranjos rítmicos por Quincy Jones, Tom Bahler e Greg Phillinganes.
Arranjos vocálicos por Michael Jackson e Quincy Jones.
Vocais guia e backgrounds: Michael Jackson.
Baixo: Louis Johnson.
Bateria: John Robinson.
Teclado: Greg Phillinganes. Sintetizador: David Foster.
Programação de sintetizador por George Duke.
Guitarra: Wah Wah Watson e Marlon Henderson.
Instrumentos de sopro: The Seawind Horns)

Dependendo do gosto, “Girlfriend” é uma encantadora e inocente música de amor ou uma lamentável Wings cover açucarada. A maioria dos críticos tende a optar pelo último. Geralmente referida como a faixa mais fraca em Off The Wall, ela, simplesmente, carece do excitamento sonoro e a aventura das faixas dances do álbum e a profundidade emocional das baladas dele.
A canção foi composta por Paul McCartney e, originalmente, incluída no álbum Wings dele, de 1978, London Town. Jackson se lembra de McCartney oferecendo a música a ele em uma festa e de ser pego pela “envolvente melodia”.
Ela é, na verdade, uma música cativante, mesmo que a melodia seja sentimental. McCartney, é claro, há muito tem sido criticado por escrever coisas como “tolas canções de amor”, desde que deixou os Beatles. Jackson, no entanto, ficou genuinamente lisonjeado por ter recebido a oferta de uma canção por uma lenda da música a quem ele admirava profundamente.
Uma divertida e provocante confissão de um triângulo amoroso, “Girlfriend” não está sem qualidades que resgatam. Para muitos ouvintes que cresceram com o álbum, a melodia simples e os vocais puros e desafetados de Jackson ainda evocam uma calor nostálgico e inocência.



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